sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Psiquiatria



É uma especialidade surpreendente!
Um dia pode ser o suficiente pra te cansar por um mês.
Um paciente pode ser o suficiente pra te cansar por todos os outros.
Aqui você torce pro seu paciente falar, falar, falar o máximo que puder, da forma e velocidade que puder pois o silêncio se torna preocupante. 
É olhar sem saber a quem, em que espaço e em que tempo se está olhando. 
É tocar o intocável, ouvir o inaudível. 
Encher a cabeça de nomes, dias, fatos, histórias, emoções e sentimentos. 
É se deparar, por vezes com o desumano, o desumanizado e o desumanizante. 
A psiquiatria assusta! 
Assusta mais do que causa medo. Assusta ver um quadro avassaladoramente devastador levando embora um ser inocente, belo, inteligente. Assusta ver um livro transformado em uma sopa de letrinhas, desagregado, desalinhado, picotado. 
Talvez, para que se tenha uma boa Psiquiatria, a diretriz diagnóstica mais importante e vital a todos os transtornos abordados pela especialidade seja uma que nenhum dos manuais diagnósticos adotados cita: SENTIR. 
Talvez uma definição adequada para a palavra Psiquiatria seja "Sentir a sutileza". Em nenhuma outra especialidade médica o Diagnóstico é tão ambivalente, delicado e controverso. É preciso perceber, captar as diferenças que podem estar em apenas uma palavra dita (ou não dita) pelo paciente, mais que isso, muitas vezes a diferença está não na palavra, mas nas diversas formas de comunicá-la. 
Sentir dói. 
É preciso estar disposto a sentir seu paciente, é preciso se jogar contra uma enxurrada que vem em ondas fortes, violentas e surpreendentes na sua direção e não poucas vezes em uma outra direção qualquer, e ai você tem que nadar, nadar, nadar mesmo sabendo que tem que, por vezes, permitir-se morrer na praia. Tudo isso sem se machucar. 
Como sentir sem absorver? 
É a arte do sentir e dessentir. 
É preciso querer chegar e partir sem antes saber aonde se vai nem de onde sair. 
A psiquiatria é linda e gratificante. É forte, é impactante. É compartilhar o ser humano em sua essência mais pura e crua. 
É viver várias vidas em uma só, num único dia, em um único momento em uma única sala, mesmo que não haja ninguém mais além de você nela. 

Thiago Moraes.


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Thiago Roberto Sarmento de Moraes

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Heavy Metal é Junguiano



"Muitos de nós almejam ver a luz e viver na beleza do seu eu mais elevado, mas tentamos fazer isso sem integrar todo o nosso ser. Não podemos ter a experiência completa da luz sem conhecer a escuridão. O lado sombrio é o porteiro que abre as portas para verdadeira liberdade."

Ao ler o trecho supracitado do livro "O lado sombrio dos buscadores da luz", da escritora americana Debbie Ford, logo me vi, anos atrás, deitado em meu quarto com fones de ouvido, sentindo no mais alto e bom som, toda a melancolia, fúria, beleza e força do mais autêntico Heavy Metal, pra ser mais específico Doom/Gothic Metal. 

A Obra se baseia no conceito de "Sombra" elaborado pelo Psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, que pode ser resumido (não, não pode!) com as próprias palavras de quem o criou: "É a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser".  

Quem me olhava via por fora tanta calma e serenidade sem saber que ali dentro tudo urrava. Após alguns minutos tudo estava em sintonia e ao terminar de ouvir o álbum e sair do quarto a sensação era a de estar saindo de mim mesmo. Era a minha meditação. 

Mal pude me dar conta na época que a música se tornara uma das principais responsáveis pelo meu contato mais íntimo com a ciência da alma e comigo mesmo. O Metal foi o meio para um fim desconhecido. Não era a letra, não era o som; o que eu queria ouvir era a mim mesmo.

Muitos não entendem como alguém pode gostar de um som agressivo ou tão grotesco ou ainda tão negativo e pessimista. Alguns associam o estilo musical a práticas religiosas obscuras; todos temos os nossos próprios demônios. Para alguns é difícil aceitar o que não se pode entender. Para outros é melhor exorcizar o que não se pode conviver. Para mim, o Metal é Junguiano.

sábado, 20 de outubro de 2012

De cores e sombras



Mostrei o perigo
A dor e o riso
Expulsei o tremor do meu corpo
Apaguei as luzes e mostrei as sombras

Senti falta
Lembrei da presença
Senti-me cheio
Na ausência da ausência

Senti aperto
Lembrei da essência
Senti-me leve
Leveza por essência

A sombra assusta, é sem cor... traz consigo o frio.. o temor
Projeta de uma forma distorcida aquilo que é real
Nem sempre vemos as sombras... A luz é maior e mais forte
É preciso ter coragem para apagar as luzes e mostrar as sombras
Algo que se faz em terrenos firmes, na presença de confiança, amor e esperança
Não é em qualquer lugar que se caminha às escuras. É preciso sentir-se inteiramente à vontade e ter total confiança no terreno. Talvez, ao fazer isso, andando nas sombras, sem enxergar a beleza que há em si e a sua frente, você pise no solo de uma forma desajeitada, machuque o terreno as flores ou as gramas. Dói ver o belo terreno machucado.

Vejo um belo campo, largo e imenso com flores de todas as cores, com as mais belas borboletas pairando e me lembro que tudo isso foi nutrido e construído com a mais bela e forte luz, a luz que como a solar aquece de uma forma tão gostosa toda a vida presente nesse campo e de repente me dou conta que não só a luz foi vital para esse milagre da natureza... mas também as sombras... toda flor precisa de sombra para crescer completa e inteiramente... todo campo necessita de sombra para o prosperar da vida em si... o campo claro, iluminado é enorme. A sombra é pequena ali debaixo do pé de árvore. É possível descansar na sombra, é possível desfrutar de paz debaixo da árvore. É possível apreciar e se deliciar com seus frutos, até mesmo ali, debaixo das sombras. Mas o campo é muito maior, não é necessário ficar ali por muito tempo. Podemos correr, pular, gargalhar e deitar por todo esse terreno lindo, aquecido e colorido. E nesse campo todas as cores me lembram você.

domingo, 6 de maio de 2012

Sonhos de sabão



Às vezes penso que os sonhos são como bolinhas de sabão. Criados por um sopro de esperança vindo dos ingênuos pulmões de uma criança que desconhece a dor daqueles que se arriscam. Assim como as crianças olham para as bolinhas de sabão eu olho para os sonhos. Em câmera lenta elas parecem subir cada vez mais alto, e de tão frágeis que são, sobem cada vez mais lentas. É possível prolongar os sonhos, como as crianças fazem ao observar aquelas bolinhas de sabão. São encantadas é verdade, observá-las demais pode fazer com que cresça a expectativa de que as mesmas não estourem, afinal de contas é bonito ver as bolinhas brilharem um arco-íris dentro delas. Ainda assim elas estouram. Acabou o sonho? Eu costumava ficar triste quando as bolinhas de sabão estouravam. Mas com o passar dos anos fui percebendo um fenômeno interessante ocorrendo dentro de mim. Cada vez que eu criava uma nova bolinha de sabão, frágil e colorida, criava-se também, no meu ser mais profundo, a ânsia pelo fim que viria; agora o que eu queria mesmo era ver a bolinha de sabão estourar... e se espalhar... e espalhando junto com ela aquele meu sopro ingênuo e esperançoso para o mundo. Fui percebendo que a bolinha de sabão era o veículo, a forma redonda que simplesmente carregava as minhas intenções ao mundo. Era o estourar que eu desejava, afinal de contas, se a bolinha não estourar continuará restringindo a minha energia empenhada dentro dela mesma. Assim são os sonhos. Um sonho não se acaba... ele se transforma, realiza a energia empenhada e a expõe ao mundo. Hoje me vejo como a criança que descobre que seu real desejo é o estourar da bolinha. Que "O sonho" se transforme em realidade então. O que eu quero mesmo é estourar todos os meus sonhos.

Thiago Moraes 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sentir-se Ser



Curioso o fato das pessoas serem aquilo que sentem mas não se sentirem ser o que são. “A gente é o que a gente pensa” ou “você atrai o que transmite” são frases comuns no nosso dia-a-dia e em minha opinião completamente verdadeiras, mas ainda assim podemos perceber que por diversas vezes as pessoas dizem que nós somos exatamente aquilo que não achamos que somos ou, por vezes, nós achamos que somos exatamente o que as pessoas acham que não somos... e mais uma vez a gente entra no mundo das percepções. Você já percebeu se a percepção da pessoa sobre você é igual à percepção que você tem sobre a percepção da pessoa sobre você? Você pode perceber tudo sobre a percepção dos outros? Aliás, será que os outros podem perceber tudo sobre você? Talvez você perceba apenas o que os outros ainda não perceberam em você e julgue que isso seja o todo dessa percepção, quando na verdade pode ser que você ainda não tenha percebido aquilo que a pessoa percebeu sobre você. Fico me perguntando então, como poderemos usar nossa percepção da melhor forma, para nós mesmos e para os outros? Como você faz para usufruir da sua percepção?
Você utiliza os seus sentidos? Você ouve o que as pessoas falam sobre você? E se você puder ouvir agora o que elas não falam, preste atenção, talvez você ouça melhor. Você vê o que as pessoas falam sobre você? Olhe bem, olhe de novo, algumas pessoas falam visualmente muito melhor do que auditivamente, talvez você possa notar gestos, traquejos, mínimos sorrisos no canto da boca que falam muito além do que se vê, você já viu os seus gestos enquanto vê os gestos dos outros? Você já tocou o que as pessoas falam sobre você? Pode parecer estranho, mas podemos tocar, sentir na pele aquilo que os outros percebem de nós. Já percebeu? Não é à toa que, por exemplo, numa relação amorosa os dois amantes sintam em algum momento que podem palpar aquela realidade vivida a dois. Os sentimentos são palpáveis, já sentiu? Preste atenção no seu coração, na sua respiração quando você está com alguém que ama, dá pra sentir na pele não dá? Talvez você possa também, sentir na pele o que sente e o que sentem por você. Preste atenção em que parte sua você ainda não percebeu que sente a percepção dos outros sobre você. 
Auditiva, visual ou cenestesicamente, talvez a melhor forma para perceber o que se percebe da gente seja se perceber diferente... nós podemos mudar o tempo todo os canais de percepção que possuímos quando usamo-los para perceber o que somos lá dentro de nós mesmos. Os canais de percepção são como portas que nos dão acesso ao maior tesouro que já possuimos e assim, simplesmente, podemos ser o que se é.
 E se você sentir sua pele agora, não só por fora, mas também por dentro, talvez você possa perceber o sangue vivo circulando em você. E se você ouvir agora, não só os sons do ambiente mas os sons do seu corpo, talvez você possa ouvir o som de um coração forte e vibrante dentro de você. E se você fechar os olhos externos e abrir seus olhos internos para enxergar aí dentro, será que você vai perceber o que ainda não percebeu agora? Você é uma metáfora perfeita de vida, energia, força e segurança. Desfrute de tudo isso que você já é.

Thiago Moraes.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gira Sol!


Era uma vez uma boneca que queria ser um girassol. Ela passava horas observando essas plantas no jardim. E como eram coloridos aqueles girassóis... e como era gostoso o aroma que eles exalavam, atraiam abelhas e beija-flores. Todos os dias aquelas flores estavam diferentes, mais bonitas. Enquanto a boneca estava ali do mesmo jeito, com a mesma roupa, com o mesmo cabelo, com o mesmo tamanho. Ela observava que os girassóis do jardim estavam a cada dia maiores e sempre se movendo em direção ao sol, e assim queria ser como eles: absorver a energia do sol e promover também sua fotossíntese. Mas, por mais que a boneca absorvesse a energia do sol, ela tinha sempre a impressão de que não podia ser como os girassóis:  - Será que uma boneca também não pode fazer sua fotossíntese? Ela se perguntava. Triste, foi então que ela olhou para o outro lado do jardim e em meio a todas aquelas flores avistou uma linda menininha que todo dia aparecia para brincar com ela. Sentiu a alegria crescendo naquela menininha cada vez que se aproximava mais e, enquanto se movia em sua  direção, a menininha parecia cada vez maior. Como sorria a menininha ao ver sua boneca, ficava cada vez mais bonita. Sua alegria a deixava diferente, parecia colorir o ambiente e a cada abraço que recebia, sentindo o aroma gostoso que exalava aquela menininha, a boneca sentia-se afetuosamente protegida. E foi assim, observando todas as reações da menininha, enquanto recebia aquele abraço gostoso, que a boneca se deu conta de que talvez não fosse como o girassol, pois, na verdade, ela já era como o próprio sol. 

Thiago Moraes

domingo, 13 de novembro de 2011

Vivendo a vida que vive você



Você já parou para observar que quando nós abraçamos alguém sentimos algumas partes dessa pessoa e outras não? Você já reparou que partes dessa pessoa você não sente? E as partes que você sente mas ainda não se deu conta que sente?
Você já percebeu que quando abraçamos alguém, pensando no quanto gostamos dessa pessoa, estamos funcionando como um sol? Irradiando todo o nosso gostar, todo o nosso carinho, amor, afeto? Talvez nós possamos ser como o sol quando abraçarmos alguém... e se pararmos para pensar direitinho, talvez possamos ser como a lua também. Até mesmo a lua irradia a energia que recebe. Já viu como a lua pode iluminar as nossas noites? Nós, da mesma forma, podemos receber uma energia que nos chega de fora e também, da mesma forma, podemos deixá-la ir... se a energia chegou até nós é porque está em movimento e se está em movimento não vai parar em nós, assim como você já faz com a sua respiração automaticamente. Quando você respira, recebe o ar que vem de fora, absorve tudo aquilo que vai ser útil a cada uma de suas células, nutrindo-as saudavelmente, ao mesmo tempo em que o ar, automaticamente, vai absorvendo tudo aquilo que suas células não precisam e assim você joga fora o que não precisa ficar com você, o que não lhe faz bem. E você já sabe fazer tudo isso não sabe? Talvez seu inconsciente já tenha se dado conta daquilo que seu consciente ainda não percebeu e talvez agora você possa, conscientemente, se dar conta daquilo que o seu inconsciente já percebeu.  

Camila Sousa e Thiago Moraes.

sábado, 29 de outubro de 2011

É verdade absoluta...



...que na verdade as outras verdades também são verdadeiras, por mais que usem a mascara da ilusão em alguns momentos... é bem verdade que as verdades não são regras e elas variam umas das outras e principalmente de si mesmas... a minha verdade de hoje já desmentiu minhas outras verdades e várias vezes. De quê vale a sua verdade? Sua verdade vale muito e pra muitas coisas, inclusive, pra lhe dizer que é verdade que a sua verdade pode ser verdadeiramente muito mais ampla e melhor do que a verdade que você vê.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Histórias de PSF - A dor estampada.


Uma senhora entra no consultório com visível dificuldade para andar, puxando a perna esquerda e ao sentar-se diz:
- Doutor, tô com uma dor da "gota" aqui dentro da bolacha do joelho!
- Na bolacha do joelho? Hmmm...e essa dor começou quando minha senhora? - Pergunto eu.
- Ah doutor, faz uns 7 dias que tá assim...foi logo depois que comecei a usar a sandália estampada.
- Sandália estampada? - Questiono sem entender a relação da dor com a tal sandália.
- Sim doutor, daquelas cheia de "frorzinha".
Como quem não entendeu bulhufas murmuro - Hmmmm... e porque a senhora acha que essa dor começou quando usou essa sandália estampada?
- Ah doutor é porque eu sou alérgica a estampas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

E cão é que cura?



Você já observou o comportamento dos cachorros? Eles são muito interessantes. Se tem um bicho que sabe viver sabiamente esse bicho é o cachorro. Desde criança até os dias de hoje convivo com cães em casa e sempre me deixei contagiar pela  enorme  alegria desses animais. Eles sabem até sorrir sem mostrar os dentes, basta balançar a cauda pra isso. E a festa que eles fazem toda vez que você acorda ou volta pra casa, mesmo que você tenha passado intermináveis cinco minutos fora dela. E eles pulam pra um lado, correm pro outro, abraçam, rolam e mostram a barriga propositalmente só para que você dê uma carinhosa coçadinha. São animais que têm uma alta tolerância às decepções, às dores da vida, às inquietações e às tristezas; e não fazem idéia do significado da palavra rancor. Quando aprontam algo de errado, você pode brigar com eles, apontar o dedo, falar num tom de voz áspero e rude que, embora no momento eles se abaixem todo e fiquem completamente arredios, dois minutos mais tarde lá estão fazendo aquela mesma festa, a mesma folia que fazem quando estão com saudades de você, é como se eles soubessem que o que realmente importa é o fato de que os amamos e que eles nos amam também e muito. Essa é a forma que os cães têm de nos dizer que aquele momento de dor, tristeza, raiva ou decepção  já passou e assim como tudo que é passado, o que passou, passou! Tá lá atrás, tão longe. O momento presente está bem aqui, cara-a-cara com você, aguardando por novas alegrias que merecem ser vividas no momento de agora, nesse novo instante. É mesmo muito sábio esse bicho que tão facilmente sabe o que é melhor pra si e assim seguir em frente, sem mostrar os dentes, apenas balançando a cauda. E quando o ser adoece? Ele sai correndo lá pro jardim da casa onde pode achar várias plantas e seleciona exatamente aquela plantinha que você não faz nem idéia do que seja, nem pra que serve, e come. Ingere a planta como se fosse um elixir específico pra curar aquela dor de barriga que tanto o inquietava. São muito curiosas essas habilidades do cachorro. Como é que ele sabe que aquela planta vai resolver o seu problema? É realmente um mistério, mas o fato é que eles parecem saber que aquelas plantinhas ali curam todos os males. E não é que curam?

Thiago Moraes 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Deu-se, dá amor à dor!



Certa vez estava de plantão em uma maternidade e acompanhava o trabalho de parto de uma jovem de cerca de 20 anos. Ela estava esperando seu primeiro filho e, como era de se esperar, bastante ansiosa. Pela primeira vez enfrentava aquela situação, tudo era novo, assustador, olhava-me como quem não sabia ao certo o que fazer. Em seu olhar era visível o medo que sentia pelo que estava prestes a acontecer associado à expressão de dor em seu rosto a cada contração uterina que se seguia. Apesar de tudo isso e de tantas incertezas que se passavam em sua cabeça, ela se saiu muito bem, a jovem mamãe estava fazendo um ótimo trabalho: respirava, sabiamente, na hora que tinha que respirar e a cada vez que a dor surgia parecia fazer uma pequena oração, como se estivesse pedindo a Deus sabedoria para fazer o que deveria fazer e força para bravamente enfrentar e superar com sucesso aquele momento tão marcante em sua vida. E a jovem demonstrava tanta certeza, tanta convicção em sua oração. E de fato, a cada segundo daquele momento, Deus estava operando uma série de pequenos milagres. A jovem mamãe de primeira viagem aos poucos descobria que não precisava fazer força o tempo todo, apenas quando fosse necessário porque, afinal de contas, o parto é um processo natural e assim, através da natureza, Deus também estava fazendo sua parte, operando, a cada momento, seus pequenos milagres, naturalmente, todo o processo vai acontecendo... um momento de dor se transformando no milagre da vida. E logo que o milagre da vida se deu ali naquela sala, Deus permitiu que a mamãe visse seu filho pela primeira vez. E eu ali presenciando tudo isso me perguntava: quantos momentos mágicos podem existir em um único momento? Parece-me que o poeta estava certo ao dizer que cada criança ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu a esperança nos homens. O olhar e a expressão do rosto daquela jovem mamãe se transformaram milagrosamente em uma nova vida dentro dela mesma, continham a força, a admiração e o verdadeiro amor que ela sentia por aquele novo e lindo serzinho que chegava ao mundo. Quem estava naquela sala pôde ver aqueles olhos, mas mais do que isso, pôde sentir aquele olhar, e através de um simples olhar aquela jovem pôde transmitir a força do amor transformador que é o milagre da vida.    

 Thiago Moraes

domingo, 3 de abril de 2011

Medicadores de plantão - pra que serve a faculdade de medicina?



Essa semana me surgiu uma indagação curiosa: Por que vai, um paciente, à procura de um médico?
Ao tentar responder a essa pergunta várias respostas passaram em minha mente; entretanto, foi à pergunta que apareceu em seguida que fixei meus pensamentos:
Pra que serve uma faculdade de medicina?

A resposta mais direta e óbvia a essa outra pergunta é: para formar médicos.
Mas essa resposta esconde em si ainda outras perguntas:
Que qualidade de médicos as faculdades de medicina estão formando?
Médicos da qualidade necessária aos pacientes que os procuram?
E que qualidades são essas tão necessárias aos nossos pacientes?
Médicos que saibam receitar bons medicamentos?
Afinal de contas, por que é mesmo que vai, um paciente, à procura de um médico?

A palavra paciente, que vem do latim: patior (aquele que sofre), adquiriu ao longo dos tempos, desde os mais remotos até os atuais, uma série de significados:
·         Paciente é um resignado, conformado, que espera serenamente um resultado.
·         Paciente é aquele que faz com paciência, perseverando numa atividade difícil e lenta.
·         Paciente é a pessoa que padece, doente.
·         Paciente é aquele que é objeto da ação praticada por um agente.

Talvez, penso eu, a resposta à indagação inicial esteja contida na própria pergunta. Seu paciente...ativamente...vai  ao seu consultório, à sua PROCURA.

A procura em si serve como resposta. É o início, meio e fim. Só isso basta. Já lhe é suficiente.

Um aluno aplicado e preocupado procura um professor para tirar uma dúvida que noite e dia o atormenta...um professor dedicado procura nos livros a resposta que não soube dar ao aluno interessado, angustiado e atormentado...o autor do livro, um sério estudioso que dedicou sua vida ao assunto, que contém a reposta àquela tão peculiar pergunta procura fontes que sustentem sua tese...

A procura, como início, meio e fim por si só move as razões necessárias às perguntas.
E não seria a procura, além de uma resposta, também uma pergunta? Afinal de contas, só se procura o que se precisa e só procura quem precisa.

Portanto, seu paciente pode estar procurando resignação, resultados... muitas vezes difícil e lentamente, pois está padecendo, doente... desejando uma co-ação, uma ajuda, uma compreensão praticada por aquele que, na expectativa do mesmo, mais sabe. Aquele que passou seis anos ou mais estudando e se dedicando aos conhecimentos da saúde humana.

Assim sendo, penso novamente na outra pergunta: Pra que serve a faculdade de medicina?
Para formar “Medicadores de plantão”? Indivíduos especializados e angustiados com uma obsessiva e satisfatória idéia: a de receitarem remédios?
Ou para formar de fato e de direito “Médicos de plantão”?

Talvez a maior função da faculdade de medicina seja a de formar especialistas em procuras. Indivíduos estrategicamente treinados a resignar, conformar e a dar resultados. Seres humanos dispostos a praticar distintas ações para tratar daquele que padece, seja qual for a qualidade da doença, mesmo que para isso seja preciso perseverar e muitas vezes ser também paciente.

Convenhamos, um remédio é um objeto, que cabe na mão do médico; já o médico, é onde a mão cabe.

Thiago Moraes

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

assustAdorAmente


Cada cabeça é um planeta?
E vem você me dizer que não há vida fora da Terra.
Um insulto a quem tem cabeça!

Há vida no seu planeta?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A cor da melancia


Quantas cores são necessárias para compor uma melancia? 
Provavelmente ao olhar para essa imagem você desfrute uma cor por vez; ou até mesmo se dê o direito de saudavelmente se deliciar com a mistura de todas elas. 
Ao pensar em uma melancia qual a primeira cor que vem a sua mente?
Talvez você pense só na casca e logo responda com muita originalidade que a cor da melancia é na verdade a mistura de verde, verde escuro, verde claro e branco; talvez você seja mais específico, pense na polpa da fruta e responda naturalmente que a melancia não é nem verde, nem verde claro, nem branca; muito menos a mistura dessas cores; e sim vermelha. E de repente você pode se dar conta do quão estranho é pensar que na verdade a cor que vemos, ou a mistura de cores que vemos é exatamente aquela que não pertence ao objeto; a física explica, basicamente, que as cores vistas são exatamente aquelas que os objetos refletem ao receberem um feixe de luz, absorvendo todas as outras.
E por vezes eu me pergunto: seria o normal apenas o aparentemente estranho? Ou o estranho seria o aparentemente normal? 
Seria aquilo que vemos realmente aquilo que há? Ou aquilo que vemos possui simplesmente a tonalidade que vemos?
Dilemas do nosso dia-a-dia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Suicídio: conhecer para prevenir





Sim, as cenas que você vê nesse vídeo são de pessoas reais, cometendo suicídios reais. Tais cenas fazem parte do documentário "A ponte" filmado na Golden Gate, EUA. As imagens são desagradáveis, chocantes...é assim que o suicídio é. O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos,sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com o filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única questão filosófica séria.

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países, e uma das três maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 35 anos. Em média, um único suicídio afeta pelo menos outras seis pessoas. Se um suicídio ocorre em uma escola ou em algum local de trabalho, tem impacto em centenas de pessoas.

SUICÍDIO E TRANSTORNOS MENTAIS

A pesquisa na área tem sugerido que entre 40 e 60% das pessoas que cometeram o suicídio consultaram um médico no mês anterior ao suicídio; destes, a maioria foi a um clínico geral, e não a um psiquiatra.
Os estudos, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países subdesenvolvidos, revelam uma prevalência total de transtornos mentais de 80 a 100% em casos de suicídios com êxito letal. Um achado comum naqueles que cometem o suicídio é a presença de transtornos comórbidos. Os transtornos que comumente apresentam-se em conjunto são alcoolismo e transtornos do humor (p. ex., depressão) e transtornos de personalidade juntamente com outros transtornos psiquiátricos.

Transtornos do humor

Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados com suicídio. Estes incluem transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtornos do humor persistentes (p.ex., ciclotimia e distimia).
Características clínicas específicas associadas com aumento do risco de suicídio na depressão são:

  •    Insônia persistente.
  •    Negligência com os cuidados pessoais.
  •    Doença grave (particularmente depressão psicótica).
  •    Déficit de memória.
  •    Agitação.
  •    Ataques de pânico.

Os seguintes fatores de risco aumentam o risco de suicídio em pessoas com depressão:


  •     Idade menor que 25 em homens.
  •     Fases precoces da doença.
  •     Abuso de álcool.
  •     Fase depressiva de um transtorno bipolar.
  •     Estado misto (maníaco-depressivo).
  •     Mania psicótica.

Avanços recentes no tratamento da depressão são muito relevantes para a prevenção do suicídio em nível de atenção básica à saúde. Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de suicídio entre os deprimidos. A dose terapêutica plena da medicação deve ser mantida por vários meses. No idoso, pode ser necessário continuar o tratamento por 2 anos depois da recuperação. Verificou-se que os pacientes em uso regular de lítio em terapia de manutenção tem um risco de suicídio diminuído.

COMO IDENTIFICAR PACIENTES EM ALTO RISCO DE COMPORTAMENTO SUICIDA


  •    Transtornos psiquiátricos (geralmente depressão, alcoolismo e transtornos de  personalidade).
  •    Doença física (doenças terminais, dolorosas ou debilitantes, AIDS).
  •    Tentativas anteriores de suicídio.
  •    História familiar de suicídio, alcoolismo e/ou outros transtornos psiquiátricos.
  •    Estado marital solteiro, viúvo ou separado.
  •    Viver sozinho (isolamento social).
  •    Desemprego ou aposentadoria.
  •    Luto na infância.

Se o paciente encontra-se sob tratamento psiquiátrico, o risco é maior naqueles que:


  • Tiveram alta recentemente do hospital.
  • Tem história de tentativas anteriores.

Além disso, fatores de vida estressores recentes que foram associados com um risco aumentado para suicídio incluem:


  •    Separação marital.
  •    Luto.
  •    Problemas familiares.
  •    Alterações no status ocupacional ou financeiro.
  •    Rejeição de uma pessoa significativa.
  •    Vergonha e medo de ser culpado de algo.


Mitos
Realidade
Os pacientes que falam em suicídio
raramente o cometem.
Os pacientes que cometem suicídio
normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. As ameças devem ser levadas a sério.
Perguntar sobre suicídio pode provocar atos suicidas.
Perguntar sobre suicídio frequentemente reduzirá a ansiedade a respeito deste tema; o paciente pode sentir-se aliviado e melhor
compreendido.


PRECAUÇÕES

·         Melhora falsa ou enganosa: Quando um paciente agitado de repente fica calmo, ele pode ter tomado a decisão de comter suicídio, daí a calma após a decisão.
·        Negação: Pacientes que tem intenções muito sérias de suicidar-se podem deliberadamente negar a ideação suicida.

Leia mais em:

http://www.abelsidney.pro.br/prevenir/medicos.pdf





terça-feira, 7 de setembro de 2010

CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS



1ª JORNADA DE PSICOTERAPIA BREVE 
com o tema central: CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS. 

Nos dias 05,06 e 07 de novembro.
Maceió - AL



A Psicoterapia Breve é um ramo da psicologia clínica focada na solução de problemas, conseguindo através da formulação estratégica de intervenções, o desenvolvimento natural do potencial humano para a construção do equilíbrio e do bem-estar. 

Este evento contará com a participação de palestrantes renomados, na área de psicologia, como João Facchinette (AL), diretor do Instituto Erickson / Maceió e professor do curso de Extensão em Hipnose e Psicoterapia Breve ; Julia Kovacs (SP), autora de livros como: Fundamentos de Psicologia Morte e Existência Humana; Educação para Morte: Desafios na Formação de Prof. de Saúde e Educação e outrosJosé Augusto Mendonça (BH), autor do livro A Magia da Hipnose na PsicoterapiaAngela Cota (BH), autora de livros como Abrindo Portas com AmorLika Queiroz (BA), Uma das Fundadoras da Gestalt-Terapia no Brasil. Dentre outros grandes nomes da psicoterapia breve. Será uma oportunidade imperdível de aprimorar e adquirir novos conhecimentos no campo da psicologia. 

Mais informações: Instituto Erickson / Maceió (82) 3326-1421 ou hipnose@superig.com.br ou jornadapb@yahoo.com.br

Progamação :

Palestra: Psiconcologia - Julia Kovacs (SP)
Mesa redonda: Construindo soluções para desconstruir problemas
Palestra: O desafio da Psicoterapia Breve no novo milênio - Lika Queiroz (BA)
Palestra: Características essenciais no desenvolvimento da Psicoterapia Breve - J. Augusto (BH)
Mesa redonda: A mutável família moderna e as Terapias Breves com suas crianças
Palestra: A psicossomática na era da internet e suas intervenções terapêuticas - Leda Delmondes (SE)
Mesa redonda: A equipe no hospital atuando com pacientes em situações de crise
Mesa redonda: Fibromialgia

Mini-curso: trabalhando com crianças - Ângela Cota (BH)



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em ritmo de galope


Em seu livro Imagery in healing, Jeanne Achterberg (1985) oferece ótimos exemplos das maneiras nas quais as expectativas influenciam o resultado no campo médico/físico (quem dirá no médico/psicológico). Ela relata uma história do livro de Norman Cousins, The healing heart, sobre um paciente criticamente doente, cujo músculo cardíaco estava irreparavelmente comprometido e com quem já haviam se esgotado todos os recursos terapêuticos. Durante as visitas seu médico mencionou à equipe que o paciente tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, na verdade um sinal de patologia importante. Vários meses mais tarde, o paciente foi fazer o check-up e sua recuperação havia sido fantástica. Ele contou ao seu médico que sabia o que havia feito com que ele melhorasse e exatamente quando isso ocorreu: 
"Na quinta-feira, pela manhã, quando você entrou com sua equipe, aconteceu algo que mudou tudo. Você escutou meu coração; parecia satisfeito com o que ouviu e disse a todos que estavam em volta do meu leito que eu tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, logo supus que eu deveria ter um coração muito forte e, portanto, não poderia estar morrendo. Soube naquele instante que iria me recuperar."  

Como o que esperamos influencia o que recebemos, uma terapia voltada para a solução mantém as pressuposições que intensificam a cooperação paciente-terapeuta, confere poder ao paciente. As predisposições das expectativas dos terapeutas, não importa se positivas ou negativas, influenciarão o curso e o resultado da terapia. Os pacientes têm recursos e forças para resolver suas queixas; é tarefa do terapeuta abrir caminhos para essas habilidades e colocá-las em prática.

* Texto extraído e adaptado de Hipnose e Psicoterapia Breve - módulo básico - Instituto Erickson de Maceió.    

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depressão: quando encaminhar ao psiquiatra?



A depressão é uma condição relativamente comum, de curso crônico e recorrente. Está freqüentemente associada com incapacitação funcional e comprometimento da saúde física. Os pacientes deprimidos apresentam limitação da sua atividade e bem estar, além de uma maior utilização de serviços de saúde. No entanto, a depressão segue sendo subdiagnosticada e subtratada. Entre 30 e 60% dos casos de depressão não são detectados pelo médico clínico em cuidados primários. Muitas vezes, os pacientes deprimidos também não recebem tratamentos suficientemente adequados e específicos. A morbi-mortalidade associada à depressão pode ser, em boa parte, prevenida (em torno de 70%) com o tratamento correto.


Quando encaminhar ao psiquiatra?

  • O encaminhamento ao psiquiatra está indicado nas seguintes situações:

1) risco de suicídio;
2) sintomas psicóticos;
3) história de transtorno afetivo bipolar. 

  • O encaminhamento ou consultoria com psiquiatra é apropriado nas seguintes situações:

1) médico sente-se incapaz de lidar com o caso;
2) duas ou mais tentativas de tratamento antidepressivo malsucedidas
ou com resposta parcial.


Quando tratar com Antidepressivos?

Episódio depressivo moderado a grave e distimia

Os medicamentos antidepressivos são a primeira linha de tratamento independente da presença de fatores ambientais.

Episódios depressivos leves (primeiro episódio)

1) Antidepressivos não estão indicados;
2) educação, suporte e simples solução de problemas são recomendados;
3) monitoração para a persistência ou para o desenvolvimento de episódio depressivo moderado a grave.

Episódios depressivos leves persistentes

Teste terapêutico com medicamento antidepressivo.

Episódio depressivo leve em paciente com história prévia de episódio depressivo moderado a grave

Considerar tratamento com antidepressivo.

Episódios depressivos leves a moderados
Psicoterapias específicas para depressão (cognitiva e interpessoal) são alternativas efetivas aos medicamentos, dependendo da disponibilidade de profissionais e preferência do paciente.


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