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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Histórias de PSF - A dor estampada.


Uma senhora entra no consultório com visível dificuldade para andar, puxando a perna esquerda e ao sentar-se diz:
- Doutor, tô com uma dor da "gota" aqui dentro da bolacha do joelho!
- Na bolacha do joelho? Hmmm...e essa dor começou quando minha senhora? - Pergunto eu.
- Ah doutor, faz uns 7 dias que tá assim...foi logo depois que comecei a usar a sandália estampada.
- Sandália estampada? - Questiono sem entender a relação da dor com a tal sandália.
- Sim doutor, daquelas cheia de "frorzinha".
Como quem não entendeu bulhufas murmuro - Hmmmm... e porque a senhora acha que essa dor começou quando usou essa sandália estampada?
- Ah doutor é porque eu sou alérgica a estampas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Deu-se, dá amor à dor!



Certa vez estava de plantão em uma maternidade e acompanhava o trabalho de parto de uma jovem de cerca de 20 anos. Ela estava esperando seu primeiro filho e, como era de se esperar, bastante ansiosa. Pela primeira vez enfrentava aquela situação, tudo era novo, assustador, olhava-me como quem não sabia ao certo o que fazer. Em seu olhar era visível o medo que sentia pelo que estava prestes a acontecer associado à expressão de dor em seu rosto a cada contração uterina que se seguia. Apesar de tudo isso e de tantas incertezas que se passavam em sua cabeça, ela se saiu muito bem, a jovem mamãe estava fazendo um ótimo trabalho: respirava, sabiamente, na hora que tinha que respirar e a cada vez que a dor surgia parecia fazer uma pequena oração, como se estivesse pedindo a Deus sabedoria para fazer o que deveria fazer e força para bravamente enfrentar e superar com sucesso aquele momento tão marcante em sua vida. E a jovem demonstrava tanta certeza, tanta convicção em sua oração. E de fato, a cada segundo daquele momento, Deus estava operando uma série de pequenos milagres. A jovem mamãe de primeira viagem aos poucos descobria que não precisava fazer força o tempo todo, apenas quando fosse necessário porque, afinal de contas, o parto é um processo natural e assim, através da natureza, Deus também estava fazendo sua parte, operando, a cada momento, seus pequenos milagres, naturalmente, todo o processo vai acontecendo... um momento de dor se transformando no milagre da vida. E logo que o milagre da vida se deu ali naquela sala, Deus permitiu que a mamãe visse seu filho pela primeira vez. E eu ali presenciando tudo isso me perguntava: quantos momentos mágicos podem existir em um único momento? Parece-me que o poeta estava certo ao dizer que cada criança ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu a esperança nos homens. O olhar e a expressão do rosto daquela jovem mamãe se transformaram milagrosamente em uma nova vida dentro dela mesma, continham a força, a admiração e o verdadeiro amor que ela sentia por aquele novo e lindo serzinho que chegava ao mundo. Quem estava naquela sala pôde ver aqueles olhos, mas mais do que isso, pôde sentir aquele olhar, e através de um simples olhar aquela jovem pôde transmitir a força do amor transformador que é o milagre da vida.    

 Thiago Moraes

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Suicídio: conhecer para prevenir





Sim, as cenas que você vê nesse vídeo são de pessoas reais, cometendo suicídios reais. Tais cenas fazem parte do documentário "A ponte" filmado na Golden Gate, EUA. As imagens são desagradáveis, chocantes...é assim que o suicídio é. O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos,sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com o filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única questão filosófica séria.

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países, e uma das três maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 35 anos. Em média, um único suicídio afeta pelo menos outras seis pessoas. Se um suicídio ocorre em uma escola ou em algum local de trabalho, tem impacto em centenas de pessoas.

SUICÍDIO E TRANSTORNOS MENTAIS

A pesquisa na área tem sugerido que entre 40 e 60% das pessoas que cometeram o suicídio consultaram um médico no mês anterior ao suicídio; destes, a maioria foi a um clínico geral, e não a um psiquiatra.
Os estudos, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países subdesenvolvidos, revelam uma prevalência total de transtornos mentais de 80 a 100% em casos de suicídios com êxito letal. Um achado comum naqueles que cometem o suicídio é a presença de transtornos comórbidos. Os transtornos que comumente apresentam-se em conjunto são alcoolismo e transtornos do humor (p. ex., depressão) e transtornos de personalidade juntamente com outros transtornos psiquiátricos.

Transtornos do humor

Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados com suicídio. Estes incluem transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtornos do humor persistentes (p.ex., ciclotimia e distimia).
Características clínicas específicas associadas com aumento do risco de suicídio na depressão são:

  •    Insônia persistente.
  •    Negligência com os cuidados pessoais.
  •    Doença grave (particularmente depressão psicótica).
  •    Déficit de memória.
  •    Agitação.
  •    Ataques de pânico.

Os seguintes fatores de risco aumentam o risco de suicídio em pessoas com depressão:


  •     Idade menor que 25 em homens.
  •     Fases precoces da doença.
  •     Abuso de álcool.
  •     Fase depressiva de um transtorno bipolar.
  •     Estado misto (maníaco-depressivo).
  •     Mania psicótica.

Avanços recentes no tratamento da depressão são muito relevantes para a prevenção do suicídio em nível de atenção básica à saúde. Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de suicídio entre os deprimidos. A dose terapêutica plena da medicação deve ser mantida por vários meses. No idoso, pode ser necessário continuar o tratamento por 2 anos depois da recuperação. Verificou-se que os pacientes em uso regular de lítio em terapia de manutenção tem um risco de suicídio diminuído.

COMO IDENTIFICAR PACIENTES EM ALTO RISCO DE COMPORTAMENTO SUICIDA


  •    Transtornos psiquiátricos (geralmente depressão, alcoolismo e transtornos de  personalidade).
  •    Doença física (doenças terminais, dolorosas ou debilitantes, AIDS).
  •    Tentativas anteriores de suicídio.
  •    História familiar de suicídio, alcoolismo e/ou outros transtornos psiquiátricos.
  •    Estado marital solteiro, viúvo ou separado.
  •    Viver sozinho (isolamento social).
  •    Desemprego ou aposentadoria.
  •    Luto na infância.

Se o paciente encontra-se sob tratamento psiquiátrico, o risco é maior naqueles que:


  • Tiveram alta recentemente do hospital.
  • Tem história de tentativas anteriores.

Além disso, fatores de vida estressores recentes que foram associados com um risco aumentado para suicídio incluem:


  •    Separação marital.
  •    Luto.
  •    Problemas familiares.
  •    Alterações no status ocupacional ou financeiro.
  •    Rejeição de uma pessoa significativa.
  •    Vergonha e medo de ser culpado de algo.


Mitos
Realidade
Os pacientes que falam em suicídio
raramente o cometem.
Os pacientes que cometem suicídio
normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. As ameças devem ser levadas a sério.
Perguntar sobre suicídio pode provocar atos suicidas.
Perguntar sobre suicídio frequentemente reduzirá a ansiedade a respeito deste tema; o paciente pode sentir-se aliviado e melhor
compreendido.


PRECAUÇÕES

·         Melhora falsa ou enganosa: Quando um paciente agitado de repente fica calmo, ele pode ter tomado a decisão de comter suicídio, daí a calma após a decisão.
·        Negação: Pacientes que tem intenções muito sérias de suicidar-se podem deliberadamente negar a ideação suicida.

Leia mais em:

http://www.abelsidney.pro.br/prevenir/medicos.pdf





terça-feira, 7 de setembro de 2010

CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS



1ª JORNADA DE PSICOTERAPIA BREVE 
com o tema central: CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS. 

Nos dias 05,06 e 07 de novembro.
Maceió - AL



A Psicoterapia Breve é um ramo da psicologia clínica focada na solução de problemas, conseguindo através da formulação estratégica de intervenções, o desenvolvimento natural do potencial humano para a construção do equilíbrio e do bem-estar. 

Este evento contará com a participação de palestrantes renomados, na área de psicologia, como João Facchinette (AL), diretor do Instituto Erickson / Maceió e professor do curso de Extensão em Hipnose e Psicoterapia Breve ; Julia Kovacs (SP), autora de livros como: Fundamentos de Psicologia Morte e Existência Humana; Educação para Morte: Desafios na Formação de Prof. de Saúde e Educação e outrosJosé Augusto Mendonça (BH), autor do livro A Magia da Hipnose na PsicoterapiaAngela Cota (BH), autora de livros como Abrindo Portas com AmorLika Queiroz (BA), Uma das Fundadoras da Gestalt-Terapia no Brasil. Dentre outros grandes nomes da psicoterapia breve. Será uma oportunidade imperdível de aprimorar e adquirir novos conhecimentos no campo da psicologia. 

Mais informações: Instituto Erickson / Maceió (82) 3326-1421 ou hipnose@superig.com.br ou jornadapb@yahoo.com.br

Progamação :

Palestra: Psiconcologia - Julia Kovacs (SP)
Mesa redonda: Construindo soluções para desconstruir problemas
Palestra: O desafio da Psicoterapia Breve no novo milênio - Lika Queiroz (BA)
Palestra: Características essenciais no desenvolvimento da Psicoterapia Breve - J. Augusto (BH)
Mesa redonda: A mutável família moderna e as Terapias Breves com suas crianças
Palestra: A psicossomática na era da internet e suas intervenções terapêuticas - Leda Delmondes (SE)
Mesa redonda: A equipe no hospital atuando com pacientes em situações de crise
Mesa redonda: Fibromialgia

Mini-curso: trabalhando com crianças - Ângela Cota (BH)



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em ritmo de galope


Em seu livro Imagery in healing, Jeanne Achterberg (1985) oferece ótimos exemplos das maneiras nas quais as expectativas influenciam o resultado no campo médico/físico (quem dirá no médico/psicológico). Ela relata uma história do livro de Norman Cousins, The healing heart, sobre um paciente criticamente doente, cujo músculo cardíaco estava irreparavelmente comprometido e com quem já haviam se esgotado todos os recursos terapêuticos. Durante as visitas seu médico mencionou à equipe que o paciente tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, na verdade um sinal de patologia importante. Vários meses mais tarde, o paciente foi fazer o check-up e sua recuperação havia sido fantástica. Ele contou ao seu médico que sabia o que havia feito com que ele melhorasse e exatamente quando isso ocorreu: 
"Na quinta-feira, pela manhã, quando você entrou com sua equipe, aconteceu algo que mudou tudo. Você escutou meu coração; parecia satisfeito com o que ouviu e disse a todos que estavam em volta do meu leito que eu tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, logo supus que eu deveria ter um coração muito forte e, portanto, não poderia estar morrendo. Soube naquele instante que iria me recuperar."  

Como o que esperamos influencia o que recebemos, uma terapia voltada para a solução mantém as pressuposições que intensificam a cooperação paciente-terapeuta, confere poder ao paciente. As predisposições das expectativas dos terapeutas, não importa se positivas ou negativas, influenciarão o curso e o resultado da terapia. Os pacientes têm recursos e forças para resolver suas queixas; é tarefa do terapeuta abrir caminhos para essas habilidades e colocá-las em prática.

* Texto extraído e adaptado de Hipnose e Psicoterapia Breve - módulo básico - Instituto Erickson de Maceió.    

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depressão: quando encaminhar ao psiquiatra?



A depressão é uma condição relativamente comum, de curso crônico e recorrente. Está freqüentemente associada com incapacitação funcional e comprometimento da saúde física. Os pacientes deprimidos apresentam limitação da sua atividade e bem estar, além de uma maior utilização de serviços de saúde. No entanto, a depressão segue sendo subdiagnosticada e subtratada. Entre 30 e 60% dos casos de depressão não são detectados pelo médico clínico em cuidados primários. Muitas vezes, os pacientes deprimidos também não recebem tratamentos suficientemente adequados e específicos. A morbi-mortalidade associada à depressão pode ser, em boa parte, prevenida (em torno de 70%) com o tratamento correto.


Quando encaminhar ao psiquiatra?

  • O encaminhamento ao psiquiatra está indicado nas seguintes situações:

1) risco de suicídio;
2) sintomas psicóticos;
3) história de transtorno afetivo bipolar. 

  • O encaminhamento ou consultoria com psiquiatra é apropriado nas seguintes situações:

1) médico sente-se incapaz de lidar com o caso;
2) duas ou mais tentativas de tratamento antidepressivo malsucedidas
ou com resposta parcial.


Quando tratar com Antidepressivos?

Episódio depressivo moderado a grave e distimia

Os medicamentos antidepressivos são a primeira linha de tratamento independente da presença de fatores ambientais.

Episódios depressivos leves (primeiro episódio)

1) Antidepressivos não estão indicados;
2) educação, suporte e simples solução de problemas são recomendados;
3) monitoração para a persistência ou para o desenvolvimento de episódio depressivo moderado a grave.

Episódios depressivos leves persistentes

Teste terapêutico com medicamento antidepressivo.

Episódio depressivo leve em paciente com história prévia de episódio depressivo moderado a grave

Considerar tratamento com antidepressivo.

Episódios depressivos leves a moderados
Psicoterapias específicas para depressão (cognitiva e interpessoal) são alternativas efetivas aos medicamentos, dependendo da disponibilidade de profissionais e preferência do paciente.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Acadêmicos até às 24h


A direção do HGE continua sem receber as devidas ATENÇÕES das autoridades superiores em relação ao gerenciamento daquela unidade.
Corredores super/hiper- lotados, pacientes espalhados pelo chão em macas duras e sem o mínimo conforto; até mesmo internados em cadeiras.
 Tudo leva a crer, que por falta de verbas, o hospital continua na sua marcha fúnebre para o "rumo certo": O fundo do Poço.
Logo na entrada do HGE, nota-se um "noite de horrores" por falta de lâmpadas e postes quebrados. ( risco de assaltos)
Tomógrafo sem funcionar há mais de uma semana, falta de Kits de suturas, o que obriga aos acadêmicos iniciantes a trabalhar na forma  do improviso, repercutindo negativamente no aprendizado e aumentando o risco de acidentes.
Enquanto não se tomar uma providência mais séria e rigorosa, dentro em breve, as escolas de Medicina irão suspender os estágios nos hospitais de Emergência e Maternidades do Estado.
Falou-se em criar Residência Médica naquela unidade Hospitalar.
Já imaginou qual o grau de formação desses Residentes?
O problema do HGE é nosso velho conhecido.
Fora os graves problemas, resta ainda a imensurável insatisfação que habita  em  todos os níveis de funcionários: falta de alojamentos que ofereçam o mínimo de conforto, afinal de contas, instalações sanitárias adequadas  e isentas de insalubridade são normas do próprio Ministério da Saúde e da Vigilância sanitária.
Não adianta mudança de gestores, mas mudança de atitudes que respeitem aos funcionários, estagiários e acima de tudo aos pacientes.
E isso deve partir da secretaria de saúde e dos governantes.
A população agradece.
José Roberto de Moraes

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Transtorno Bipolar do humor







Excelente reportagem, dividida em 3 partes, sobre o Transtorno Bipolar do Humor, anteriormente conhecido como Psicose Maníaco-Depressiva, que é um transtorno mental que acomete de 1 a 3% da população. Este transtorno é caracterizado pela ocorrência de episódios de depressão, alternados com episódios maníacos, que são episódios em que o paciente apresenta uma sensação de grande energia, podendo permanecer acordado, agitado ou realizando tarefas durante muito tempo seguido, sem se cansar; uma aceleração do pensamento, que pode ser observada por uma fala muito rápida e um por um fluxo de ideias que por vezes pode ser confuso, passando de um pensamento a outro por ligações tênues, como o som semelhante de duas palavras, ou uma mesma palavra repetida em duas ideias díspares; uma sensação de grandeza (como achar ser um grande artista, político ou atleta) e de múltiplas capacidades; descontrole de impulsos que podem se manifestar por gastos descontrolados, direção perigosa ou por uma conduta sexual exacerbada ou inadequada; uma sensação contínua de alegria, que não pode ser abalada nem por pensamentos tristes e, por vezes, episódios de irritabilidade ou agressividade. Por vezes, os episódios de depressão ou mania podem ser acompanhados por sensações que não correspondem à realidade (como ouvir vozes que outras pessoas não podem ouvir ou julgar estar envolvido em algum tipo de conspiração ou plano).

As primeiras manifestações do transtorno bipolar do humor ocorrem mais frequentemente
durante a terceira ou a quarta décadas de vida. Habitualmente, os pacientes portadores de transtorno bipolar do humor apresentam episódios depressivos ou maníacos e períodos sem sintomas entre eles. Se não for instituído tratamento, os períodos sem sintomas habitualmente se tornam mais raros e há grande prejuízo à vida pessoal.

Assim como na depressão, as causas do transtorno bipolar do humor são múltiplas: fatores bioquímicos (alterações em neurotransmissores), genéticos e ambientais.

Felizmente, o transtorno bipolar do humor é uma doença tratável. Em seu tratamento são empregados medicamentos conhecidos como estabilizadores do humor, que servem para tratar tanto os episódios depressivos quanto os episódios maníacos e também previnem a ocorrência de novos episódios. O tratamento desta doença é feito obrigatoriamente com o uso de medicamentos e pode ser complementado com o emprego de psicoterapia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Relação médico-paciente : companheiros de viagem

Esta é a história de dois renomados curandeiros, que viveram em tempos bíblicos. Embora ambos fossem altamente eficientes, eles trabalhavam de maneiras diferentes. O curandeiro mais jovem, Joseph, curava através de uma escuta silenciosa, inspirada. Os peregrinos confiavam em Joseph. Sofrimento e ansiedade despejados em seus ouvidos desapareciam como água na areia do deserto, e os penitentes saíam de sua presença leves e calmos. Por outro lado, Dion, o curandeiro mais velho, confrontava ativamente aqueles que buscavam sua ajuda. Ele adivinhava os pecados inconfessos deles. Era um grande juiz que punia, repreendia e retificava, e que curava por meio de uma intervenção ativa. Tratando os penitentes como crianças, ele dava conselhos, punia com a determinação da penitência, ordenava peregrinações e casamentos, e obrigava os inimigos a fazerem as pazes.

Os dois curandeiros nunca se encontraram e trabalharam como rivais durante muitos anos, até que Joseph se tornou cada vez mais doente espiritualmente, caiu em melancólico desespero e foi assaltado por idéias de autodestruição. Incapaz de curar a si mesmo com os próprios métodos terapêuticos, ele partiu numa jornada rumo ao sul para buscar ajuda de Dion.

Em sua peregrinação, Joseph descansou uma noite num oásis, onde travou uma conversa com um viajante mais velho. Quando Joseph descreveu a finalidade e o destino de sua peregrinação, o viajante se ofereceu como guia para ajudá-lo na busca por Dion. Mais tarde, em meio à sua longa jornada juntos, o velho viajante revelou sua identidade a Joseph. Mirabile dictu: ele próprio era Dion — exatamente o homem que Joseph procurava.

Sem hesitação, Dion convidou seu mais jovem e desesperado rival à sua casa, onde viveram e trabalharam juntos por muitos anos. Dion pediu inicialmente que Joseph fosse um empregado. Mais tarde, ele o promoveu a estudante e, finalmente, a colega.. Anos depois, Dion caiu doente e, em seu leito de morte, chamou seu jovem colega para que ouvisse uma confissão. Falou da antiga e terrível doença de Joseph e de sua jornada até o velho Dion para implorar ajuda. Falou sobre como Joseph tinha sentido que fora um milagre que seu companheiro de viagem e guia se revelasse ser o próprio Dion.

Agora que estava morrendo, tinha chegado a hora, disse Dion a Joseph, de quebrar seu silêncio sobre aquele milagre. Dion confessou que, naquela época, o encontro tinha lhe parecido um milagre, pois ele também tinha caído em desespero. Ele também sentia-se vazio e espiritualmente morto, e, incapaz de se ajudar, havia partido numa jornada em busca de ajuda. Naquela mesma noite em que eles tinham se conhecido no oásis, ele estava numa peregrinação em busca de um curandeiro famoso chamado Joseph.

domingo, 9 de novembro de 2008

Hospital Geral do Estado (HGE) - A verdade por trás da fachada




Nota: Essa carta denúncia foi encaminhada para o Conselho Regional de Medicina
e Sindicato dos Médicos de Alagoas.

HGE (Um Desabafo.)

Informamos aos senhores que, lamentavelmente, a situação atual do tão propagado Hospital Geral, é extremamente grave e preocupante pelos prejuízos que vem causando a cada dia, à população e também aos seus funcionários.

A desorganização, o descaso e os constantes desencontros fazem parte de um triste e horripilante cenário.

Inúmeros pacientes internados pelos corredores e em macas improvisadas, a superlotação das enfermarias nos mostra o quanto deficitário se encontra o sistema de saúde do nosso estado e do nosso país.

São centenas de ambulâncias vindas de vários municípios e se perfilam na frente do HGE e no estacionamento, como um verdadeiro "desfile daquilo que não se deveria fazer".

Enquanto os Hospitais do interior continuam com seus leitos vazios e desabastecidos de tudo.

Sabemos que a culpa não é só de A ou de B, mas de todo alfabeto e inclusive dos analfabetos em administração da saúde pública

Os funcionários das diversas áreas permanecem perplexos, estarrecidos, anestesiados e encurralados pelas pressões da desorganização e da superlotação,

Como se estivessem sendo jogados em jaulas de leões, executam de forma humanamente impossível e à duras penas, suas tarefas para amenizar a dor e o sofrimento dos pacientes amontoados naquela instituição.

Vê-se no rosto de cada um, a angustia, a indignação e a marca recente da frustração, quando se falava em dias melhores...

O desconforto, o calor das enfermarias, as inúmeras cobranças e pouquíssimos funcionários de todos os setores fazem parte do selo daquilo que se chama Inferno.

As ameaças e desacatos atingem de forma mais abrangente desde a recepção ao serviço social e assim por diante.

As alas de internação recebem os mais cáusticos raios de sol, "queimando" a pele não só dos funcionários de enfermagem, mas de alguns pacientes que devido ao calor, solicitam alta hospitalar imediatamente.

As telefonistas "acomodadas" devidamente numa "Cabine- Estufa" ouvem todos os tipos de barulhos, às vezes também o telefone...

Sem falar na deficiência das salas de repouso, direito de todos.

A teimosia em manter o número de funcionários subdimensionados transformou o ambiente hospitalar numa verdadeira casa de senzala.

As áreas coloridas tornaram as tarefas menos produtivas e pelo pequeno número de profissionais de saúde, aumentou ainda a questionável assistência hospitalar humanizada.

Os pacientes das áreas AMARELAS (UTI- disfarçada) e que, portanto necessitam de cuidados intensivos, são "jogados" para os Clínicos que não possuem qualificação para tal e que dentro em breve serão responsabilizados por algo que eles não terão culpa, mas os castigos da lei lhes serão imputados.

Quem trabalha com pacientes dessa natureza são os INTENSIVISTAS.

O HGE teve morte prematura antes de completar um mês de vida.

O "Mega-projeto" não preenche os requisitos que deveriam ser exigidos e aprovados após criterioso estudo de suas verdadeiras dimensões.

Diante desse quadro, o seu corpo apresenta sérias deformidades e nos parece que ficou principalmente acéfalo.

É uma beleza de unhas maliciosas não só pela perversidade escondida, mas principalmente pela maneira descompromissada em se conduzir o sistema de saúde.

Que os erros sejam corrigidos a tempo, antes que muitas vidas sejam ceifadas

Urge providencias dos Sindicatos e dos conselhos não só de Medicina, mas de todas as categorias envolvidas no trabalho hospitalar.

Talvez a intervenção do Ministério Público, nos ajude a encontrar uma solução em curto prazo.

Que Alagoas não sirva mais uma vez de chacotas para os outros estados da federação!


José Roberto de Moraes

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O ESTUDANTE DE MEDICINA E O SEU PROFESSOR


"O estudante chega à faculdade após exame de seleção aleatória e quase nada sabe das suas motivações conscientes e muito menos dos aspectos inconscientes envolvidos na escolha profissional do curso de medicina. Traz os vícios e conceitos do ensino formal do segundo grau e às vezes espera encontrar na uviversidade a mesma maneira de ensinar que lhe foi proporcionada até então. Terá poucas surpresas. Porém, poderá haver um ensino questionador, problemático, em que educador e educando acertam e erram juntos, trocando vivências, problemas e experiências, dialogando sem dominação de uma parte sobre a outra. Isto requer que haja plena liberdade de expressão para criar, construir, destruir e reconstruir, aventurar-se sem opressão e sem medo (um dos ideais universitários).

E acontece o encontro. Lá estão eles: o estudande de medicina e o seu professor.

Existem estudantes e professores inseguros em diversos aspectos diante do exercício da medicina e do ensinar e aprender. Esses rendem mais quando se encontram.

Existem estudantes e professores "seguros" quanto aos temas da medicina e quanto às técnicas do aprendizado. Esses trocam pouco entre si e vivem em um "faz de conta".

Existem vários tipos de professores: novos ou velhos, inquietos ou passivos, cansados ou dispostos. Professores muitas vezes prepotentes e que são, em alguns casos, modelos para o aluno. Professores que não têm formação didática e, mesmo quando a têm, ministram aulas teóricas e práticas por imitação de modelos antigos que os impressionaram anteriormente. Podem ser modelos "bons" ou "maus". Fica a critério de cada um definir.

O estudante pode considerar como modelo bom aquele de quem ele se sinta mais próximo e por quem não se sinta ameaçado. Este, em diversas situações, será o eleito para uma identificação, sem ser necessariamente o "bom" como médico. Acontece também, quando questionador, do professor assustar os alunos (e virse versa). Assim, pode ser rechaçado e com essa rejeição vão por água abaixo todas as suas qualidades. Mas, pode haver identificação, também, com o professor que demonstra poder e sedução. Esse, passará a ser cultuado por alguns grupos de estudantes.

É mais provável que o "bom" professor não negue as dificuldades emocionais que sentiu nas diversas fases do curso médico e identifica-se, dessa forma, mais facilmente com o aluno. Até mesmo quando está diante de alunos que praticam farsas. Afinal, ele também, como ser humano e outrora estudante ou adulto, pode ter se utilizado dessas práticas. Talvez, por isso mesmo, ele seja mais sensível na detecção de situações semelhantes. Diante desse professor, o estudante deve se sentir mais confortável para relatar suas dúvidas, certezas, fracassos, vitórias, farsas e conquistas legítimas. O resultado dessa troca é muito gratificante, mesmo que em alguns momentos doloroso. O colega se sente pouco à vontade para avaliar a farsa do outro. A tendência é que haja uma união, por parte dos alunos entre os alunos e dos professores entre os professores, em uma negação coletiva da farsa contruída pelo outro. Mas, há uma consciência que existiram relatos falsos e verdadeiros. Porém, a mentira ou a verdade não importam tanto. O compartilhar a possiblidade de mentir ou de se está dizendo a verdade é mais proveitoso. Essa possibilidade, geralmente, é uma grande ameaça para a maioria dos professores e alunos. Há uma "fantasma" coletivo chamado "represálias".

Docente "mau" será, em psicologia médica, aquele que não se dá emocionalmente ao estudante (tanto em momentos de alegria como de tristeza, tanto em momentos de prazer como de desprazer). Esse professor sempre estará vigilante para se defender com a onisciência que supõe ter. Pode repetir o modelo de figuras parentais (pais, mães) e, dessa forma, ser o espelho para esse aluno e futuro profissional. Quando o estudante trilha o caminho acadêmico, terá uma probabilidade imensa de seguir esse mesmo caminho. Predominará na relação com o outro a rigidez e a prepotência. Uma relação típica de quem julga saber muito mais que o outro. Não haverá espaços para o relativo. Para essas pessoas, tudo só pode ser absoluto ou falso. O ciclo não termina.

No encontro entre o professor e o aluno sempre haverá espaço para expectativas. De ambas as partes. Mas, o que deve prevalecer é a consciência que não estamos nesse mundo para satisfazer às expectitativas de nenhum ser humano. Ninguém, absolutamente ninguém, além de nós mesmos, é capaz de lutar pela nossa felicidade. Se não o fizermos, nem uma pessoa (por mais que nos ame) buscará a felicidade em nosso lugar. A felicidade é extremamente particular. A de um ser humano pode ser totalmente distinta da de outro. Se nos encontramos com esse outro é muito bonito. É lindo quando as expectativas são alcançadas mutuamente. Caso contrário, pouco há o que se fazer."

por Danilo Perestrello em "A Medicina da Pessoa".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Dica de site



O MedStudents, a Medcenter e o Medscape se uniram para formar o maior portal de medicina da América Latina. O novo portal Medcenter Medscape traz , traduzido para português, o conteúdo do Medscape, o mais reconhecido e mais acessado portal médico do mundo, além de produção científica nacional.
Conheça o Medcenter Medscape e tenha acesso, totalmente gratuito, ao que há de mais atual na medicina.
No site você encontra notícias, informações sobre congressos, casos clínicos e informações gerais para profissionais e estudantes da área da saúde além de uma seção voltada "ao paciente".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Catarata : da fisiopatologia ao tratamento.





A palavra catarata deriva do latim "catarractes", que quer dizer cachoeira; a olho nu do observador, a opacidade causada pela catarata avançada, vista através da pupila, lembra o fluxo turbulento de água em uma cachoeira.

A catarata pode ser definida como qualquer opacificação difusa do cristalino, não necessariamente com efeitos demonstráveis na visão. A catarata quando significativa o suficiente para comprometer a visão, é a principal causa de cegueira em todo o mundo. Modelos epidemiológicos estimam que existam cerca de 30 milhões de pessoas com cegueira, em todo o mundo, sendo que metade desses casos são devidos à catarata.


O que é catarata:


TIPOS DE CATARATA

SENIL: é o tipo de catarata mais comum. Ocorre em pessoas idosas (é relacionada a idade), geralmente após os 60 anos.
CÔNGENITA: a criança geralmente já nasce com catarata. Ocorre por doenças da mulher (como a rubéola e a toxoplasmose) durante a gravidez. Frequentemente está acompanhada de outras alterações.
TRAUMÁTICA: ocorre após acidentes com o olho. Geralmente é unilateral; o trauma, mesmo sem perfuração do olho pode provocar a opacificação do cristalino.
DO DIABÉTICO: Inicia-se geralmente em idade mais precoce e com perda visual mais rápida que na senil.
SECUNDÁRIA À MEDICAMENTOS: principalmente o corticóide; quando este é usado por longos períodos.




Fisiopatologia

Existe um arranjo regular das fibras que formam o cristalino, o qual apresenta uma mínima quantidade de espaço extracelular (apenas 1,3% do total); além disso, apenas as fibras superficiais são nucleadas. As principais proteínas são altamente concentradas e de pequeno tamanho, o que mantém a transparência do citoplasma e minimiza a reflexão da luz. O aumento de tamanho das moléculas, ou de sua separação por excesso de água, leva a opacificação, podendo o paciente desenvolver catarata.

Para proteção contra a lesão oxidativa, moléculas de captura, como a vitamina E, estão presentes na membrana da lente. A glutationa reduzida, um potente redutor de radicais livres, é sintetizada no cristalino e encontrada em alta concentração no córtex e no epitélio. Ela mantém os tióis e o ascorbato em estado reduzido, capturando peróxidos e radicais livres, induzidos pela radiação.

Nenhuma alteração histológica importante parece ocorrer no núcleo do cristalino. A catarata parece resultar de opacificação, por acúmulo de proteínas de alto peso molecular. Isso faz com que o núcleo se torne amarelado e compactado (esclerose nuclear).
À medida que a catarata sofre maturação, a ruptura das fibras corticais progride e ocorre um grande acúmulo de água. Como resultado, a lente sofre edema e a câmara anterior torna-se mais estreita. Se o processo progride lentamente, uma lente encolhida com cápsula enrugada e uma córtex parcialmente absorvida, contendo depósitos cálcicos, aparece como catarata hipermadura. À medida que a córtex se liquefaz, fragmentos do cristalino podem se deslocar para o interior da câmara anterior, o que induz à atividade dos macrófagos, levando ao glaucoma fagolítico.

Sintomas

Em seu estágio inicial, a catarata pode causar uma perda discreta da qualidade visual, alterando a visão das cores, que se apresentam mais desbotadas.
Outro sintoma comum é a diminuição da acuidade visual noturna, às vezes com certo ofuscamento na presença de focos intensos de luz, como faróis de automóveis.
À medida que a catarata avança, a visão vai ficando progressivamente mais turva e embaçada, prejudicando as atividades mais comuns tais como a leitura, o caminhar ou até assistir TV.
Nos casos extremos, a queixa óbvia é a perda da visão útil. Não são raros os casos de pacientes mais idosos que sofrem quedas e fraturas sérias devido à visão prejudicada pela catarata.



Como suspeitar de catarata?

A catarata deve ser suspeitada em qualquer paciente que se queixe de declínio progressivo e indolor da acuidade visual. A opacidade da lente pode ser confirmada por exame de fundo de olho, sem dilatação pupilar, à oftalmoscopia direta.

A maioria dos casos de catarata ocorre em indivíduos com idade superior a 60 anos, ou em mais jovens que apresentam fatores de risco, como o diabetes, o uso de esteróides sistêmicos, ou passado de traumatismo ocular; esses pacientes devem ser avaliados anualmente por um oftalmologista, para monitoração de condições assintomáticas, como o glaucoma de ângulo aberto e a retinopatia diabética.


Tratamento

O único tratamento para a catarata é a remoção cirúrgica da lente opacificada, restaurando-se a transparência do eixo visual.
Atualmente, a cirurgia é indicada, quando os sintomas da catarata, interferem com a capacidade do paciente atender ás suas necessidades da vida diária.
A cirurgia de catarata é um procedimento de baixo risco, mas uma avaliação pré-operatória cuidadosa é de extrema importância, especialmente porque a população envolvida é idosa e, frequentemente, apresenta outras co-morbidades ( Hipertensão, diabetes, doença Arterial coronariana, infecção de Vias Aéreas Superiores, Doença Cardíaca Valvar )

A facoemulsificação (FEF) é um procedimento que faz parte das técnicas mais modernas de extração extracapsular, é realizada em centro cirúrgico e, na grande maioria, sob anestesia local. Trata-se de uma modificação da facectomia extracapsular, pois a catarata, em vez de ser retirada quase por inteiro, é toda fragmentada (emulsificada) em minúsculos pedaços através de um instrumento introduzido no olho semelhante a uma caneta com ponta bem fina e delicada. Essa ponta emite ondas de ultra-som e faz, simultaneamente, a emulsificação e retirada, por meio de sucção, dos fragmentos. Esse procedimento pode ser realizado por meio de uma pequena incisão, cerca de 2-3 mm. O objetivo é deixar a cápsula posterior intacta, porque essa servirá de apoio para a lente intra-ocular que será implantada, situação esta que representa a imensa maioria dos casos de catarata senil.


Fontes:

http://www.cirurgiadecatarata.com.br/whatis.asp
http://www.bibliomed.com.br/lib/emailorprint.cfm?id=16113&type=lib
http://www.drqueirozneto.com.br/artigos/artigo.asp?id=70
http://atlas.ucpel.tche.br/~nicolau/catarata.htm
http://www.tudosobrecatarata.com.br/html/index.html
http://www.visaolaser.com.br/doencas_cirurgia/cirurgias/facoemulsificacao.htm

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Estudo mostra que origem da pedofilia pode estar no cérebro / O sigilo médico em caso de paciente pedófilo



Washington, 28 nov (EFE).- A origem dos abusos sexuais contra as crianças poderia estar no cérebro, assinalou um estudo do Centro de Dependência e Saúde Mental dos Estados Unidos divulgado hoje pela revista "Psychiatric Research".

Na pesquisa foi utilizado um avançado método de análise que comparou a atividade cerebral de um grupo de pedófilos com a de autores de delitos não sexuais.
Segundo os cientistas, os pedófilos revelaram ter uma quantidade consideravelmente menor de "massa branca", que é responsável por conectar as diferentes partes do cérebro.
Os pesquisadores indicaram que os resultados do estudo põem em xeque a crença generalizada de que a pedofilia é resultado de um trauma ou de abusos sofridos durante a infância.
Por outro lado, esta descoberta é a prova mais concreta que as origens do problema estão no cérebro, acrescentaram.
Em uma pesquisa anterior, a mesma equipe de cientistas havia assinalado que, em geral, os pedófilos têm um baixo coeficiente intelectual, são canhotos e tendem a ter uma estatura mais baixa que os não pedófilos.
James Cantor, psicólogo do centro, indicou que os resultados do estudo não quer dizer que os pedófilos não sejam responsáveis por suas ações.
"O fato de que uma pessoa não seja capaz de escolher sua intenção sexual não significa que não possa controlar suas ações", afirmou.
Segundo os cientistas, o resultado da pesquisa sugere que se deve prestar mais atenção ao estudo da forma como o cérebro governa os interesses sexuais.
Essa informação poderia dirigir novas estratégias para impedir o desenvolvimento da pedofilia, assinalaram.




Lendo o livro Ética e psiquiatria do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo ( CREMESP ) encontrei um capítulo bem interessante relativo ao assunto. Abaixo segue uma breve descrição do mesmo:

O sigilo médico em caso de paciente pedófilo e o âmbito da responsabilidade do psiquiatra -
Luiz Carlos Aiex Alves

Digamos que um médico sabe que seu paciente está praticando pedofilia. Do ponto de vista ético que conduta deverá ele adotar? Seria esta uma situação em que caberia a quebra do sigilo para impedir o sofrimento de uma criança indefesa? (...)
De acordo com o Instituto de Psiquiatria da FMUSP ( Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo ) :
  1. Diante de um caso concreto de prática pedofílica, por dever legal, o médico e a equipe multidisciplinar, por intermédio da instituição a que pertençam, são obrigados a comunicar o fato à Vara da infância e juventude.
  2. Os serviços que prestam assistência médica aos portadores de diagnóstico de pedofilia devem informar aos seus clientes dos dispositivos pertinentes do Estatuto da Criança e do Adolescente ( ECA ).

Fundamentado no critério da "justa causa", o psiquiatra pode romper o sigilo profissional, após a análise de cada paciente pedófilo em particular. Ao se referir à figura da "justa causa", prevista mas não definida, no art. 102 do Código de Ética Médica ( CEM ), o parecer da comissão argumenta:

Vivemos em uma sociedade em que a ética normativa condena como crime a prática pedofílica e do ponto de vista do dever legal ou justa causa a quebra do sigilo nesta circunstância não entra em conflito com o art. 102 do CEM.

Do ponto de vista do CREMESP :

  1. A quebra de sigilo nos casos de paciente pedófilo não pode ser entendida como dever legal.
  2. O rompimento do segredo no caso de paciente pedófilo deve ser considerado uma faculdade do médico. A autonomia do médico deve prevalecer nesta circunstância. Pode ser admitido como justa causa em casos particulares, conforme estabelece o artigo 102 do CEM.
  3. A opção pela quebra de sigilo, mediante comunicação à Vara da Infância e Juventude, deve levar em conta as características clínicas do paciente.

A divergência entre os pareceres está, portanto, na imposição legal da notificação.

Em concluindo, entende-se que, se for esse o caso, o psiquiatra dispõe da permissão ética de quebrar o sigilo de todos os seus pacientes pedófilos sem exceção. É direito do médico realizar atos médicos que, embora não obrigatórios por lei, sejam conformes os ditames de sua consciência.

Fontes:
Ética e psiquiatria / Coordenação de Luiz Carlos Aiex Alves. 2ª ed. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, 2007.
* contribuição : Camila Sousa - que minina danadinha! ;**

sábado, 1 de dezembro de 2007

Uma realidade brasileira

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro - CREMERJ lançou a campanha “Quanto Vale o Médico” para estimular discussões sobre o assunto e fortalecer iniciativas e soluções para esta questão. A população cresce, a violência urbana aumenta e a estrutura de saúde do Rio encontra-se estagnada. O resultado desta situação faz com que o médico esteja simplesmente impossibilitado de exercer seu trabalho da melhor maneira e a população acabe sofrendo com um serviço de saúde perigoso e decadente.
“Quanto vale o médico?” é a pergunta-chave desta campanha. Faça esta pergunta a você mesmo e passe adiante, para amigos, familiares, colegas. É assim que vamos poder dar vida a esta iniciativa e, mais importante, aprender a valorizar o profissional que cuida da saúde das pessoas.

O que todo mundo sabe sobre este assunto:
Hospitais estão lotados, há demora nos atendimentos, falta de remédios, ambulâncias e leitos.

O que muita gente acaba pensando:
Que os serviços são caóticos porque os médicos têm má vontade.

O que nem todo mundo sabe de verdade:
Médicos sem condições de trabalho e salários decentes têm queda brutal em seus níveis de qualidade de vida. Isso compromete o serviço de saúde do Estado e a população sai tão desrespeitada quanto o médico.

O objetivo desta campanha:
A valorização do médico e de suas condições de trabalho, através da união de forças entre entidades médicas e sociedade civil.

Identificou-se com a proposta? Então vá no site e assine o abaixo assinado : http://www.quantovaleomedico.com.br/

veja o vídeo da campanha :

domingo, 25 de novembro de 2007

Recall de Grávidas (Exames Pré-natal não vistos por médicos)

O CREMAL, com o objetivo de precaver e alertar os médicos alagoanos, ao estilo do "é melhor prevenir a remediar", vem divulgando esse vídeo da reportagem da Record News sobre denúncia de casos de atendimentos Pré-natais feitos EXCLUSIVAMENTE por enfermeiros ocorrido em São Paulo - SP. Alguns casos complicaram e causaram seqüelas graves ou óbitos. Em virtude disso, a secretaria municipal de saúde iniciou um mutirão realizado por médicos para reavaliar mulheres gestantes, o que eles chamaram de "recall de grávidas".
"É nesse sentido que o CREMAL sempre atuou e atua: fazer conscientizar aos médicos que assumam seu papel, para que não se ponha em risco a vida da população e para sua a própria defesa jurídica.
Aos nossos companheiros de trabalho, os enfermeiros, que estão expostos também à desproteção jurídica, pelo fato de estarem realizando atribuições de outras profissões, o CREMAL também sempre deixou claro que todos, numa equipe de saúde pública, devem assumir integralmente seu papel, pois assim fazendo, todos estarão legalmente protegidos e a população, principal beneficiária de nossas ações, terá um atendimento de qualidade."


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Simulador de Eletrocardiograma


Um programinha em Flash bem legal, simulando os diferentes traçados eletrocardiográficos das principais anormalidades cardíacas, e ainda com uma breve explanação ( em espanhol ).

vale a pena, apenas 142 kb
Para baixar clique Aqui



Confira mais em:

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

4D: Corpo Humano - Cientistas criam holograma humano


Após seis anos de trabalho, cientistas canadenses finalizaram a construção de um holograma gigante de um corpo humano. "CAVEman" vive em uma sala virtual, a CAVE, projetada com três paredes e um piso inferior onde o boneco flutua. Um grupo de artistas se empenhou em desenhar o corpo e órgãos. Depois, as imagens foram convertidas para a linguagem Java 3DTM. "CAVEman se parece com qualquer humano real, mas nós podemos redimensioná-lo do tamanho que quisermos", diz um dos cientistas. O "homem em 4D" ajudará médicos a investigarem a genética de várias doenças e a cura dessas enfermidades. O próximo passo do time é possibilitar que médicos "entrem no holograma" e possam sentir os tecidos e a densidade dos órgãos. Também será possível criar bonecos em quatro dimensões com doenças específicas, o que facilitaria a explicação para pacientes, eles também querem acrescentar sons aos órgãos.




Fonte:UOL - Tecnologia
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