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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Suicídio: conhecer para prevenir





Sim, as cenas que você vê nesse vídeo são de pessoas reais, cometendo suicídios reais. Tais cenas fazem parte do documentário "A ponte" filmado na Golden Gate, EUA. As imagens são desagradáveis, chocantes...é assim que o suicídio é. O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos,sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com o filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única questão filosófica séria.

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países, e uma das três maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 35 anos. Em média, um único suicídio afeta pelo menos outras seis pessoas. Se um suicídio ocorre em uma escola ou em algum local de trabalho, tem impacto em centenas de pessoas.

SUICÍDIO E TRANSTORNOS MENTAIS

A pesquisa na área tem sugerido que entre 40 e 60% das pessoas que cometeram o suicídio consultaram um médico no mês anterior ao suicídio; destes, a maioria foi a um clínico geral, e não a um psiquiatra.
Os estudos, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países subdesenvolvidos, revelam uma prevalência total de transtornos mentais de 80 a 100% em casos de suicídios com êxito letal. Um achado comum naqueles que cometem o suicídio é a presença de transtornos comórbidos. Os transtornos que comumente apresentam-se em conjunto são alcoolismo e transtornos do humor (p. ex., depressão) e transtornos de personalidade juntamente com outros transtornos psiquiátricos.

Transtornos do humor

Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados com suicídio. Estes incluem transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtornos do humor persistentes (p.ex., ciclotimia e distimia).
Características clínicas específicas associadas com aumento do risco de suicídio na depressão são:

  •    Insônia persistente.
  •    Negligência com os cuidados pessoais.
  •    Doença grave (particularmente depressão psicótica).
  •    Déficit de memória.
  •    Agitação.
  •    Ataques de pânico.

Os seguintes fatores de risco aumentam o risco de suicídio em pessoas com depressão:


  •     Idade menor que 25 em homens.
  •     Fases precoces da doença.
  •     Abuso de álcool.
  •     Fase depressiva de um transtorno bipolar.
  •     Estado misto (maníaco-depressivo).
  •     Mania psicótica.

Avanços recentes no tratamento da depressão são muito relevantes para a prevenção do suicídio em nível de atenção básica à saúde. Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de suicídio entre os deprimidos. A dose terapêutica plena da medicação deve ser mantida por vários meses. No idoso, pode ser necessário continuar o tratamento por 2 anos depois da recuperação. Verificou-se que os pacientes em uso regular de lítio em terapia de manutenção tem um risco de suicídio diminuído.

COMO IDENTIFICAR PACIENTES EM ALTO RISCO DE COMPORTAMENTO SUICIDA


  •    Transtornos psiquiátricos (geralmente depressão, alcoolismo e transtornos de  personalidade).
  •    Doença física (doenças terminais, dolorosas ou debilitantes, AIDS).
  •    Tentativas anteriores de suicídio.
  •    História familiar de suicídio, alcoolismo e/ou outros transtornos psiquiátricos.
  •    Estado marital solteiro, viúvo ou separado.
  •    Viver sozinho (isolamento social).
  •    Desemprego ou aposentadoria.
  •    Luto na infância.

Se o paciente encontra-se sob tratamento psiquiátrico, o risco é maior naqueles que:


  • Tiveram alta recentemente do hospital.
  • Tem história de tentativas anteriores.

Além disso, fatores de vida estressores recentes que foram associados com um risco aumentado para suicídio incluem:


  •    Separação marital.
  •    Luto.
  •    Problemas familiares.
  •    Alterações no status ocupacional ou financeiro.
  •    Rejeição de uma pessoa significativa.
  •    Vergonha e medo de ser culpado de algo.


Mitos
Realidade
Os pacientes que falam em suicídio
raramente o cometem.
Os pacientes que cometem suicídio
normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. As ameças devem ser levadas a sério.
Perguntar sobre suicídio pode provocar atos suicidas.
Perguntar sobre suicídio frequentemente reduzirá a ansiedade a respeito deste tema; o paciente pode sentir-se aliviado e melhor
compreendido.


PRECAUÇÕES

·         Melhora falsa ou enganosa: Quando um paciente agitado de repente fica calmo, ele pode ter tomado a decisão de comter suicídio, daí a calma após a decisão.
·        Negação: Pacientes que tem intenções muito sérias de suicidar-se podem deliberadamente negar a ideação suicida.

Leia mais em:

http://www.abelsidney.pro.br/prevenir/medicos.pdf





quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depressão: quando encaminhar ao psiquiatra?



A depressão é uma condição relativamente comum, de curso crônico e recorrente. Está freqüentemente associada com incapacitação funcional e comprometimento da saúde física. Os pacientes deprimidos apresentam limitação da sua atividade e bem estar, além de uma maior utilização de serviços de saúde. No entanto, a depressão segue sendo subdiagnosticada e subtratada. Entre 30 e 60% dos casos de depressão não são detectados pelo médico clínico em cuidados primários. Muitas vezes, os pacientes deprimidos também não recebem tratamentos suficientemente adequados e específicos. A morbi-mortalidade associada à depressão pode ser, em boa parte, prevenida (em torno de 70%) com o tratamento correto.


Quando encaminhar ao psiquiatra?

  • O encaminhamento ao psiquiatra está indicado nas seguintes situações:

1) risco de suicídio;
2) sintomas psicóticos;
3) história de transtorno afetivo bipolar. 

  • O encaminhamento ou consultoria com psiquiatra é apropriado nas seguintes situações:

1) médico sente-se incapaz de lidar com o caso;
2) duas ou mais tentativas de tratamento antidepressivo malsucedidas
ou com resposta parcial.


Quando tratar com Antidepressivos?

Episódio depressivo moderado a grave e distimia

Os medicamentos antidepressivos são a primeira linha de tratamento independente da presença de fatores ambientais.

Episódios depressivos leves (primeiro episódio)

1) Antidepressivos não estão indicados;
2) educação, suporte e simples solução de problemas são recomendados;
3) monitoração para a persistência ou para o desenvolvimento de episódio depressivo moderado a grave.

Episódios depressivos leves persistentes

Teste terapêutico com medicamento antidepressivo.

Episódio depressivo leve em paciente com história prévia de episódio depressivo moderado a grave

Considerar tratamento com antidepressivo.

Episódios depressivos leves a moderados
Psicoterapias específicas para depressão (cognitiva e interpessoal) são alternativas efetivas aos medicamentos, dependendo da disponibilidade de profissionais e preferência do paciente.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

V.I.D.A. - um curta sobre depressão e suicídio

Ana Silvia é uma advogada e mãe que sofre de depressão a alguns anos, o que a levou a montar um grupo de apoio a depressivos que se reúne regularmente.

O filme acompanha um dia na vida desta mulher, no qual ela está enfrentando uma crise aguda de depressão, bem como o desencontro com sua irmã e a incapacidade de cuidar da filha. Mesmo assim ela reúne forças para moderar o grupo de pessoas que sofrem da mesma doença que ela, tendo nesse dia na reunião a presença de dois jovens que filmam os depoimentos para um documentário, sendo todos surpreendidos por uma revelação.

Para ver o curta vá diretamente ao site oficial: http://www.pensamentosfilmados.com.br/br/curtas/vida/

Visite também o blog do filme, onde você pode deixar depoimentos: http://www.filmevida.blogspot.com/

Concursos de fantasias animam Hospital Escola Portugal Ramalho

Festa acontecerá com animação em todas as alas da instituição e desfile pelas ruas do Farol

Agência Alagoas

A prévia da 18ª edição do Bloco Maluco Beleza do Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR) acontece no próximo dia 28 de janeiro, às 15h, na Praça Chiquinho, localizada no ponto central na sede da unidade hospitalar. Animados pela Banda da Polícia Militar de Alagoas, usuários, familiares, amigos, parceiros e colaboradores do hospital percorrem todas as alas da instituição.

De acordo com o gerente geral do HEPR, psiquiatra Audenis Peixoto, o objetivo da mobilidade da festa é levar alegria aos usuários acamados e aos que por razões psíquicas não conseguem se juntar ao grupo. “ A festa é para todos, mas sabemos que devido à inconstância da patologia, alguns não acompanham o momento festivo, e por isso, vamos até eles, levando o nosso sorriso”, explica.

Serão escolhidos o Rei e a Rainha do Carnaval 2010 que desfilarão em carro alegórico no dia 4 de fevereiro, quando do desfile oficial do bloco pelas ruas do bairro do Farol “Os candidatos irão representar suas alas, se apresentando com trajes carnavalescos, sendo observados critérios como traje, desenvoltura e contentamento”, destaca João Neto, psicólogo responsável pelo evento.

Uma outra atração que vai movimentar a prévia da festa de momo será o concurso de fantasias com material reciclável. “Os pacientes é que vão confeccionar sua fantasia, utilizando resíduos sólidos, como latinhas, papel, garrafas pet, revistas, retalhos, CDs e outros materiais transformados”, destaca a terapeuta ocupacional Claudete Lins, à frente da organização do concurso.


fonte: http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=194429

domingo, 24 de janeiro de 2010

(Ré)forma psiquiátrica?

Que mundo é este?

por Fernando Lejderman

A doença mental de Nathaniel Ayers, no filme O Solista, ilustra a difícil realidade dos moradores de rua de Los Angeles, EUA; também correspondente à das grandes cidades brasileiras. O filme se baseia na história de um jornalista que, ao procurar uma matéria interessante, encontra um músico morador de rua. Com o passar do tempo, o jornalista realiza inúmeras tentativas para recuperar o potencial artístico e a sanidade mental desse personagem, que um dia fora um artista de extremo talento.

Muitos moradores de rua são pessoas desgarradas da família devido à gravidade da doença mental que os aflige e/ou pelo uso simultâneo de álcool e drogas, sobretudo as mais baratas, como o crack. O número desses moradores de rua vem aumentando desde 1990, após a mudança da legislação em relação às hospitalizações psiquiátricas, que, a partir de então, exige a vontade manifesta e a anuência dos doentes para serem hospitalizados. Estima-se que o número de moradores de rua de Porto Alegre esteja ao redor de 1,4 mil; em São Paulo, é cerca de 14 mil pessoas.

Presumir que uma pessoa delirante, com o pensamento fragmentado, desconectada do senso de realidade comum, que se imagina poderosa como um Deus ou um ser extraterrestre, manifeste a sua vontade ou assine um termo de responsabilidade aceitando a necessidade de tratamento especializado é algo incompreensível, desprovido de conhecimento, em relação à lógica dos processos mentais. No entanto, é exatamente isso que vem acontecendo no dia a dia da assistência aos doentes mentais graves desamparados, no que se refere a suas doenças de base, que deterioram o estado psicológico, aumentam o contágio de doenças infecciosas, como hepatite C, tuberculose e aids, levando a completa decadência física e mental.

Além das ruas, também as prisões se tornaram um lar alternativo para uma parcela dessa população de doentes que, por fim, acaba cometendo pequenos delitos ou quadros de agressividade e agitação psicomotora. Recentemente, o jornalista Nilson Souza publicou uma crônica em Zero Hora que conta justamente a história de um doente mental que permaneceu durante vários meses numa prisão em Caxias do Sul, cujo apelido, certamente não por acaso, era Quase Nada. Que mundo é este em que doentes mentais ficam nas ruas e nas prisões?

No Rio Grande do Sul, a Lei Estadual nº 9.716, aprovada em 1992, proíbe a construção de novos hospitais psiquiátricos públicos, bem como o aumento de vagas nos já existentes. No Artigo 15 da lei, ficou estabelecido que a reforma psiquiátrica seria reavaliada quanto aos seus rumos e ritmo de implantação no prazo de cinco anos. Já se passaram 17 anos e, de lá para cá, a população de doentes mentais nas ruas cresce ininterruptamente. Está mais do que na hora de se rever esta legislação.

* PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA DO RIO GRANDE DO SUL

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Transtorno Bipolar do humor







Excelente reportagem, dividida em 3 partes, sobre o Transtorno Bipolar do Humor, anteriormente conhecido como Psicose Maníaco-Depressiva, que é um transtorno mental que acomete de 1 a 3% da população. Este transtorno é caracterizado pela ocorrência de episódios de depressão, alternados com episódios maníacos, que são episódios em que o paciente apresenta uma sensação de grande energia, podendo permanecer acordado, agitado ou realizando tarefas durante muito tempo seguido, sem se cansar; uma aceleração do pensamento, que pode ser observada por uma fala muito rápida e um por um fluxo de ideias que por vezes pode ser confuso, passando de um pensamento a outro por ligações tênues, como o som semelhante de duas palavras, ou uma mesma palavra repetida em duas ideias díspares; uma sensação de grandeza (como achar ser um grande artista, político ou atleta) e de múltiplas capacidades; descontrole de impulsos que podem se manifestar por gastos descontrolados, direção perigosa ou por uma conduta sexual exacerbada ou inadequada; uma sensação contínua de alegria, que não pode ser abalada nem por pensamentos tristes e, por vezes, episódios de irritabilidade ou agressividade. Por vezes, os episódios de depressão ou mania podem ser acompanhados por sensações que não correspondem à realidade (como ouvir vozes que outras pessoas não podem ouvir ou julgar estar envolvido em algum tipo de conspiração ou plano).

As primeiras manifestações do transtorno bipolar do humor ocorrem mais frequentemente
durante a terceira ou a quarta décadas de vida. Habitualmente, os pacientes portadores de transtorno bipolar do humor apresentam episódios depressivos ou maníacos e períodos sem sintomas entre eles. Se não for instituído tratamento, os períodos sem sintomas habitualmente se tornam mais raros e há grande prejuízo à vida pessoal.

Assim como na depressão, as causas do transtorno bipolar do humor são múltiplas: fatores bioquímicos (alterações em neurotransmissores), genéticos e ambientais.

Felizmente, o transtorno bipolar do humor é uma doença tratável. Em seu tratamento são empregados medicamentos conhecidos como estabilizadores do humor, que servem para tratar tanto os episódios depressivos quanto os episódios maníacos e também previnem a ocorrência de novos episódios. O tratamento desta doença é feito obrigatoriamente com o uso de medicamentos e pode ser complementado com o emprego de psicoterapia.

sábado, 29 de agosto de 2009

Fobia social


Não é só timidez – é muito pior. É um transtorno de ansiedade, um medo monstruoso de ser criticado ou ridicularizado. Quem tem fobia social sempre acha que fez, faz e fará tudo errado. É um mal crônico, que atinge de 10% a 15% da população do mundo ( uma estatística semelhante ao número de diabéticos ), com consequências como depressão, uso de álcool e drogas. Como detesta se expor, a pessoa vai acumulando prejuízos de todo tipo.

"A pessoa que tem fobia social apresenta uma coisa que chamamos de ansiedade antecipatória. Por exemplo, se tem que fazer um seminário ou conversar com o vendedor em uma compra, ela acaba ficando ansiosa antes de ir conversar com essas pessoas e acaba evitando essa situação", esclarece o professor de psiquiatria José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

"A maior parte das pessoas nem sabe que isso é um transtorno e que tem tratamento. Acham que é um traço de personalidade, uma manha, um jeito de ser, e ficam sofrendo sozinhas", diz o professor José Alexandre Crippa.

Localizada na região das têmporas, a área do cérebro que processa as emoções é a amídala. Os exames mostram que quanto maior é a ansiedade, maior o tamanho da amídala. E mais: quanto menor for o cíngulo anterior, a parte do cérebro relacionada ao julgamento, pior a autoavaliação da pessoa em situações sociais. "A fobia social tem pelo menos um componente orgânico muito claro", afirma Jaime Hallak.

Não importa a intensidade do transtorno, é preciso buscar tratamento. "A primeira medida é procurar um profissional – um psicólogo ou um psiquiatra – para fazer um diagnóstico correto. E a partir daí fazer um tratamento adequado para cada caso", orienta José Alexandre Crippa.


Teste Mini-SPIN*

Indique quanto os seguintes problemas incomodaram você durante a última semana. Escolha semente um item para cada problema e verifique se você respondeu a todos os itens.

1 – Evito fazer coisas ou falar com certas pessoas por medo de ficar envergonhado.

2 – Evito atividades nas quais sou o centro das atenções.

3 – Ficar envergonhado ou parecer bobo são os meus maiores temores.

Confira o valor das respostas:

Nada = 0
Um pouco = 1
Moderadamente = 2
Bastante = 3
Extremamente = 4

Resultado:

Uma contagem igual ou superior a 7 representa provável diagnóstico de fobia social.

*Sigla em inglês para Mini-Inventário de Fobia Social. Este teste foi padronizado para a população brasileira pelos médicos José Alexandre Crippa, Flávia de Lima Osório e Sonia Regina Loureiro, do Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Você sabe o que é esquizofrenia?



Reportagem do fantástico sobre a esquizofrenia, feita com a participação do ator Bruno Gagliasso em um instituto psiquiatrico no Rio de Janeiro. Veja o vídeo e conheça algumas histórias e um pouco mais da realidade dos pacientes e hospitais psiquiátricos.

Arthur Ramos - 106 anos de obras vivas

Arthur Ramos de Araújo Pereira, nascido na cidade de Pilar – Alagoas em sete de julho de 1903, foi um dos principais intelectuais de sua época. Teve grande destaque na construção do mito da democracia racial e foi também importante no processo de institucionalização das Ciências Sociais no Brasil.

Foi médico psiquiatra, psicólogo social, etnólogo, folclorista e antropólogo brasileiro e um dos principais intelectuais de sua época. Destacou-se como antropólogo e etnógrafo, tendo publicado entre outras obras: Os horizontes míticos do negro na Bahia, O negro brasileiro, Folclore negro no Brasil, Introdução à antropologia brasileira, A aculturação dos negros no Brasil e Estudos de Folclore. Seus livros são, ainda hoje, fontes de consultas indispensáveis a quem se dedica ao estudo da africanologia.

Fundou a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnografia, em 1941 e era Chefe do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO. Em 1926 defendeu a tese de doutorado denominada "Primitivo e Loucura", recebendo grandes elogios de Sigmund Freud, Paul Eugen Bleuler e Lucien Lévy-Bruhl. Dividida em cinco capítulos, a tese trata de assuntos como: esquizofrenia, paranóia, distúrbios psíquicos da linguagem do alienado e do primitivo, além de propor algumas considerações de natureza conclusiva. O tema era relevante na época e muito estudado pelos psiquiatras de Zurique. Durante seu trabalho como médico na Bahia realizou pesquisas que o levaram a redigir sua tese de livre-docência: a Sordície nos alienados. Ainda na Bahia, redigiu importantes obras para a Psicologia como Estudos de Psicanálise (1931), Freud, Adler e Jung (933) e Psiquiatria e Psicanálise(1933).

Mesmo sendo considerado um dos maiores cientistas da humanidade, deixando um legado de mais de seiscentas obras, nunca esqueceu sua terra. Percebe-se isso quando escreveu: "A minha recompensa maior será a de estar ouvindo aquelas vozes queridas que os ventos constantemente me trazem do Pilar distante para a música do meu coração”.

Faleceu em 31 de outubro de 1949 em Paris, ajudando a construir um Plano de Paz para o mundo, ao lado de Bertrand Russel, Jean Piaget, Maria Montessori e Julien Huxley.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Ramos

http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000400012&lng=pt&nrm=

http://www.arthurramos.com.br/noticias.php

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viva Nise da Silveira


No dia 15 de fevereiro de 1906 nascia Nise da Silveira na sua querida Maceió. Calma gente, é verdade que a nossa querida conterrânea nasceu em 15 de fevereiro, no ano de 1906. E por que então as comemorações oficiais de seus 105 anos nesse ano de 2009?
Posso rever a expressão de menina sapeca no semblante da famosa psiquiatra, quando me contou ‘esse segredo’. A verdade é que ela tinha apenas 14 anos quando entrou na Faculdade de Medicina da Bahia depois de passar com louvor nos rigorosos exames de admissão. Todavia, segundo os regulamentos, 15 anos era a idade mínima para iniciar o curso superior na famosa faculdade.
Adiantada um ano no curso de medicina, ela, na verdade é um espírito evoluído em eras, e, nessa passagem pelo planeta terra que durou quase um século de lutas, trabalhou intensa e obstinadamente para transpor o abismo entre “as pessoas ditas normais e aquelas que demonstram vivenciar estranhas experiências pessoais e do mundo”.
Na psiquiatria da época, a resposta era o choque elétrico que se recusou a aplicar nos internos do Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Numa pequena sala do hospital, abriu um atelier de pintura que mais tarde se transformou no Museu de Imagens do Inconsciente. A arte e o afeto foram as chaves para entrar em contato com os internos do Engenho de Dentro.

Para compreender o que era a esquizofrenia, ouviu loucos, filósofos, artistas, poetas. Numa palestra na Casa das Palmeiras cita a definição de esquizofrenia dada pelo interno Otávio Inácio, frequentador do Museu de Imagens do Inconsciente, semi-analfabeto, de cor negra: “A esquizofrenia consiste em uma doença em que o coração fica sofrendo mais do que os outros órgãos, então ele fica maior e estoura”. E faz o paralelo com a frase de Laing, líder do movimento de anti-psiquiatri inglesa: -“mesmo os corações partidos podem ser reconstruídos”. – “Isso significa - diz ela - que mesmo se os corações forem partidos pelas emoções, pelos maus tratos, pelas doenças, esses corações poderão ser reconstruídos”.
No trabalho de Nise, a terapêutica ocupacional é o cerne do processo criativo curativo, não apenas uma atividade de apoio. Nas pinturas e esculturas, os loucos dão formas aos seus delírios. Trazem das profundezas da mente imagens comuns a todos os seres humanos. Imagens que nos ajudam a prosseguir viagem nos momentos de desespero. Imagens que encontramos nas pinturas dos grandes mestres, nos versos dos poetas, nas orações dos místicos. Imagens que confirmam o conceito junguiano de “inconsciente coletivo”. Imagens que comprovam que a mente não está deteriorada, os corações é que estão partidos. Imagens que curam. Nesses tempos em que ressurgem e fazem sucesso as imagens da destruição, da crueldade, da cobiça e do egoísmo, é preciosa a herança de Nise que visa afinar, apurar, cultivar, levantar o nível das pessoas. Viva Nise da Silveira.

Valquíria da Paz - Escritora
Fonte: Alagoas 24 horas

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Transtorno Bipolar do humor



Vídeo do Programa SBT realidade com o tema Transtornos da Mente. Este é o bloco que fala de Transtorno Bipolar do humor.
Visite também o site: http://obipolar.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

TDAH - Quase sem querer



Vídeo extremamente didático sobre Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH ) feito por Dr.Paulo Issa da Policlínica de Neuropsiquiatria do Rio de Janeiro, no qual o mesmo associa os sentimentos e sintomas dos portadores do transtorno à música "Quase sem querer" da Legião Urbana. Muito bom, vale a pena ver!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A tranquilidade da alma


Sêneca descreve pessoas vitimadas pela inconstância do humor, portanto, pessoas que se afastam da Eutimia, como se fosse um discurso atual, mostrando que os estados emocionais que angustiam atualmente o homem moderno não são, definitivamente, monopólio de nosso tempo.

"Para todos os doentes o caso é o mesmo: tanto tratando-se daqueles que se atormentam por uma inconstância de humor, seus desgostos, sua perpétua versatilidade e sempre amam somente aquilo que abandonaram, como aqueles que só sabem suspirar e bocejar. Acrescenta-lhes aqueles que se viram e reviram como as pessoas que não conseguem dormir, e experimentam sucessivamente todas as posições até que a fadiga as faça encontrar o repouso: depois de ter modificado cem vezes o plano de sua existência, eles acabam por ficar na posição onde os surpreende não a impaciência da variação mas a velhice, cuja indolência rejeita as inovações. Ajunta, ainda, aqueles que não mudam nunca, não por obstinação, mas por preguiça, e que vivem não como desejam, mas como sempre viveram."

Vemos claramente neste texto os atuais tipos psicológicos dos depressivos clássicos, que amam aquilo que abandonaram, os deprimidos ansiosos, que se viram e reviram, os distímicos mal adaptados que rejeitam inovações e não suportam o amadurecimento e os depressivos introvertidos, apáticos por natureza.

Retirado de: Ballone GJ -Eutimia- in. PsiqWeb, Internet - disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.
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