Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Suicídio: conhecer para prevenir





Sim, as cenas que você vê nesse vídeo são de pessoas reais, cometendo suicídios reais. Tais cenas fazem parte do documentário "A ponte" filmado na Golden Gate, EUA. As imagens são desagradáveis, chocantes...é assim que o suicídio é. O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos,sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com o filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única questão filosófica séria.

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países, e uma das três maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 35 anos. Em média, um único suicídio afeta pelo menos outras seis pessoas. Se um suicídio ocorre em uma escola ou em algum local de trabalho, tem impacto em centenas de pessoas.

SUICÍDIO E TRANSTORNOS MENTAIS

A pesquisa na área tem sugerido que entre 40 e 60% das pessoas que cometeram o suicídio consultaram um médico no mês anterior ao suicídio; destes, a maioria foi a um clínico geral, e não a um psiquiatra.
Os estudos, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países subdesenvolvidos, revelam uma prevalência total de transtornos mentais de 80 a 100% em casos de suicídios com êxito letal. Um achado comum naqueles que cometem o suicídio é a presença de transtornos comórbidos. Os transtornos que comumente apresentam-se em conjunto são alcoolismo e transtornos do humor (p. ex., depressão) e transtornos de personalidade juntamente com outros transtornos psiquiátricos.

Transtornos do humor

Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados com suicídio. Estes incluem transtorno afetivo bipolar, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtornos do humor persistentes (p.ex., ciclotimia e distimia).
Características clínicas específicas associadas com aumento do risco de suicídio na depressão são:

  •    Insônia persistente.
  •    Negligência com os cuidados pessoais.
  •    Doença grave (particularmente depressão psicótica).
  •    Déficit de memória.
  •    Agitação.
  •    Ataques de pânico.

Os seguintes fatores de risco aumentam o risco de suicídio em pessoas com depressão:


  •     Idade menor que 25 em homens.
  •     Fases precoces da doença.
  •     Abuso de álcool.
  •     Fase depressiva de um transtorno bipolar.
  •     Estado misto (maníaco-depressivo).
  •     Mania psicótica.

Avanços recentes no tratamento da depressão são muito relevantes para a prevenção do suicídio em nível de atenção básica à saúde. Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de suicídio entre os deprimidos. A dose terapêutica plena da medicação deve ser mantida por vários meses. No idoso, pode ser necessário continuar o tratamento por 2 anos depois da recuperação. Verificou-se que os pacientes em uso regular de lítio em terapia de manutenção tem um risco de suicídio diminuído.

COMO IDENTIFICAR PACIENTES EM ALTO RISCO DE COMPORTAMENTO SUICIDA


  •    Transtornos psiquiátricos (geralmente depressão, alcoolismo e transtornos de  personalidade).
  •    Doença física (doenças terminais, dolorosas ou debilitantes, AIDS).
  •    Tentativas anteriores de suicídio.
  •    História familiar de suicídio, alcoolismo e/ou outros transtornos psiquiátricos.
  •    Estado marital solteiro, viúvo ou separado.
  •    Viver sozinho (isolamento social).
  •    Desemprego ou aposentadoria.
  •    Luto na infância.

Se o paciente encontra-se sob tratamento psiquiátrico, o risco é maior naqueles que:


  • Tiveram alta recentemente do hospital.
  • Tem história de tentativas anteriores.

Além disso, fatores de vida estressores recentes que foram associados com um risco aumentado para suicídio incluem:


  •    Separação marital.
  •    Luto.
  •    Problemas familiares.
  •    Alterações no status ocupacional ou financeiro.
  •    Rejeição de uma pessoa significativa.
  •    Vergonha e medo de ser culpado de algo.


Mitos
Realidade
Os pacientes que falam em suicídio
raramente o cometem.
Os pacientes que cometem suicídio
normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. As ameças devem ser levadas a sério.
Perguntar sobre suicídio pode provocar atos suicidas.
Perguntar sobre suicídio frequentemente reduzirá a ansiedade a respeito deste tema; o paciente pode sentir-se aliviado e melhor
compreendido.


PRECAUÇÕES

·         Melhora falsa ou enganosa: Quando um paciente agitado de repente fica calmo, ele pode ter tomado a decisão de comter suicídio, daí a calma após a decisão.
·        Negação: Pacientes que tem intenções muito sérias de suicidar-se podem deliberadamente negar a ideação suicida.

Leia mais em:

http://www.abelsidney.pro.br/prevenir/medicos.pdf





terça-feira, 7 de setembro de 2010

CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS



1ª JORNADA DE PSICOTERAPIA BREVE 
com o tema central: CONSTRUINDO SOLUÇÕES PARA DESCONSTRUIR PROBLEMAS. 

Nos dias 05,06 e 07 de novembro.
Maceió - AL



A Psicoterapia Breve é um ramo da psicologia clínica focada na solução de problemas, conseguindo através da formulação estratégica de intervenções, o desenvolvimento natural do potencial humano para a construção do equilíbrio e do bem-estar. 

Este evento contará com a participação de palestrantes renomados, na área de psicologia, como João Facchinette (AL), diretor do Instituto Erickson / Maceió e professor do curso de Extensão em Hipnose e Psicoterapia Breve ; Julia Kovacs (SP), autora de livros como: Fundamentos de Psicologia Morte e Existência Humana; Educação para Morte: Desafios na Formação de Prof. de Saúde e Educação e outros; José Augusto Mendonça (BH), autor do livro A Magia da Hipnose na Psicoterapia; Angela Cota (BH), autora de livros como Abrindo Portas com Amor; Lika Queiroz (BA), Uma das Fundadoras da Gestalt-Terapia no Brasil. Dentre outros grandes nomes da psicoterapia breve. Será uma oportunidade imperdível de aprimorar e adquirir novos conhecimentos no campo da psicologia. 

Mais informações: Instituto Erickson / Maceió (82) 3326-1421 ou hipnose@superig.com.br ou jornadapb@yahoo.com.br

Progamação :

Palestra: Psiconcologia - Julia Kovacs (SP)
Mesa redonda: Construindo soluções para desconstruir problemas
Palestra: O desafio da Psicoterapia Breve no novo milênio - Lika Queiroz (BA)
Palestra: Características essenciais no desenvolvimento da Psicoterapia Breve - J. Augusto (BH)
Mesa redonda: A mutável família moderna e as Terapias Breves com suas crianças
Palestra: A psicossomática na era da internet e suas intervenções terapêuticas - Leda Delmondes (SE)
Mesa redonda: A equipe no hospital atuando com pacientes em situações de crise
Mesa redonda: Fibromialgia

Mini-curso: trabalhando com crianças - Ângela Cota (BH)



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em ritmo de galope


Em seu livro Imagery in healing, Jeanne Achterberg (1985) oferece ótimos exemplos das maneiras nas quais as expectativas influenciam o resultado no campo médico/físico (quem dirá no médico/psicológico). Ela relata uma história do livro de Norman Cousins, The healing heart, sobre um paciente criticamente doente, cujo músculo cardíaco estava irreparavelmente comprometido e com quem já haviam se esgotado todos os recursos terapêuticos. Durante as visitas seu médico mencionou à equipe que o paciente tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, na verdade um sinal de patologia importante. Vários meses mais tarde, o paciente foi fazer o check-up e sua recuperação havia sido fantástica. Ele contou ao seu médico que sabia o que havia feito com que ele melhorasse e exatamente quando isso ocorreu: 
"Na quinta-feira, pela manhã, quando você entrou com sua equipe, aconteceu algo que mudou tudo. Você escutou meu coração; parecia satisfeito com o que ouviu e disse a todos que estavam em volta do meu leito que eu tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, logo supus que eu deveria ter um coração muito forte e, portanto, não poderia estar morrendo. Soube naquele instante que iria me recuperar."  

Como o que esperamos influencia o que recebemos, uma terapia voltada para a solução mantém as pressuposições que intensificam a cooperação paciente-terapeuta, confere poder ao paciente. As predisposições das expectativas dos terapeutas, não importa se positivas ou negativas, influenciarão o curso e o resultado da terapia. Os pacientes têm recursos e forças para resolver suas queixas; é tarefa do terapeuta abrir caminhos para essas habilidades e colocá-las em prática.

* Texto extraído e adaptado de Hipnose e Psicoterapia Breve - módulo básico - Instituto Erickson de Maceió.    

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Depressão: quando encaminhar ao psiquiatra?



A depressão é uma condição relativamente comum, de curso crônico e recorrente. Está freqüentemente associada com incapacitação funcional e comprometimento da saúde física. Os pacientes deprimidos apresentam limitação da sua atividade e bem estar, além de uma maior utilização de serviços de saúde. No entanto, a depressão segue sendo subdiagnosticada e subtratada. Entre 30 e 60% dos casos de depressão não são detectados pelo médico clínico em cuidados primários. Muitas vezes, os pacientes deprimidos também não recebem tratamentos suficientemente adequados e específicos. A morbi-mortalidade associada à depressão pode ser, em boa parte, prevenida (em torno de 70%) com o tratamento correto.


Quando encaminhar ao psiquiatra?

  • O encaminhamento ao psiquiatra está indicado nas seguintes situações:

1) risco de suicídio;
2) sintomas psicóticos;
3) história de transtorno afetivo bipolar. 

  • O encaminhamento ou consultoria com psiquiatra é apropriado nas seguintes situações:

1) médico sente-se incapaz de lidar com o caso;
2) duas ou mais tentativas de tratamento antidepressivo malsucedidas
ou com resposta parcial.


Quando tratar com Antidepressivos?

Episódio depressivo moderado a grave e distimia

Os medicamentos antidepressivos são a primeira linha de tratamento independente da presença de fatores ambientais.

Episódios depressivos leves (primeiro episódio)

1) Antidepressivos não estão indicados;
2) educação, suporte e simples solução de problemas são recomendados;
3) monitoração para a persistência ou para o desenvolvimento de episódio depressivo moderado a grave.

Episódios depressivos leves persistentes

Teste terapêutico com medicamento antidepressivo.

Episódio depressivo leve em paciente com história prévia de episódio depressivo moderado a grave

Considerar tratamento com antidepressivo.

Episódios depressivos leves a moderados
Psicoterapias específicas para depressão (cognitiva e interpessoal) são alternativas efetivas aos medicamentos, dependendo da disponibilidade de profissionais e preferência do paciente.


domingo, 28 de março de 2010

Voar juntos, mas não amarrados


Conta uma lenda indígena que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda de um velho feiticeiro da tribo e pediram:
- Nós nos amamos e queremos ficar juntos. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho, emocionado, ao vê-los tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há o que possa ser feito: Nuvem Azul deves, apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida. E tu, Touro Bravo, deves caçar, também, apenas com uma rede, a mais brava de todas as águias e trazê-la para mim, viva!
Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.
E o feiticeiro postou-se na frente da tenda para esperar os dois amantes com as aves.
O velho constatou que eram verdadeiramente os formosos exemplares que ele havia pedido e ordenou:
- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Soltem-nas amarradas para que voem livres.
Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno.
Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de voar, as aves se atiraram uma contra a outra, bicando-se até se machucarem.
E o velho disse:
- Jamais esqueçam o que estão vendo, este é o meu conselho.
Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a ferir um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.
Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas.”

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aprenda a linguagem do silêncio


Por Osho

Você sempre permaneceu unido apenas informalmente, e quando está unido formalmente a alguém pode continuar enganando a respeito de mil e uma coisas disparatadas, porque nada importa — é só um passatempo.

Mas quando você começa a se sentir mais próximo de alguém surge uma intimidade, então até mesmo uma simples palavra que pronuncie é importante. Então você não pode brincar com as palavras com tanta facilidade, porque agora tudo tem significado.

Portanto, haverá lacunas de silêncio. A princípio você se sentirá estranho, porque não está acostumado ao silêncio. Você acha que deve dizer algo; do contrário, o que o outro irá pensar?

Sempre que você se aproxima de alguém, sempre que há algum tipo de amor, o silêncio vem e não há nada a dizer. Na verdade, não há nada a dizer — não há nada. Com um estranho, há muito a dizer; com os amigos, nada a dizer. E o silêncio se torna pesado porque você não está acostumado com ele.

Você não sabe o que é a música do silêncio. Você só conhece uma maneira de se comunicar, e essa é verbal, por intermédio da mente. Você não sabe como se comunicar por intermédio do coração, coração a coração, em silêncio.

Você não sabe como se comunicar apenas estando ali presente, por intermédio da sua presença. Você está evoluindo, e os padrões antigos de comunicação estão ficando insuficientes. Você terá de desenvolver novos padrões de comunicação não-verbal. Quanto mais alguém amadurece, mais necessária é a comunicação não-verbal.

A linguagem é necessária porque não sabemos como nos comunicar. Quando sabemos como fazê-lo, pouco a pouco, a linguagem não é necessária. A linguagem é apenas um meio muito primário. O meio verdadeiro é o silêncio.

Portanto, não tome uma atitude errada; do contrário, irá parar de crescer. Nada faz falta quando a linguagem começa a desaparecer; essa é uma ideia errada. Algo novo tem de aparecer, e os antigos padrões não são suficientes para contê-lo.

Você está crescendo e suas roupas estão ficando apertadas. Não é que esteja faltando algo; algo está sendo acrescentado a você a cada dia.

Quanto mais você medita, mais você ama e mais se relaciona. E, por fim, chega o momento em que apenas o silêncio convém. Assim, da próxima vez em que estiver com alguém e não estiver se comunicando com palavras, e sentir-se pouco à vontade, fique feliz. Mantenha o silêncio e deixe que o silêncio estabeleça a comunicação.

A linguagem é necessária para aproximar pessoas com quem você não tem um relacionamento amoroso. A não-linguagem é necessária para pessoas com quem você tem um relacionamento amoroso.

É preciso tornar-se inocente outra vez como uma criança, e calado. Os gestos sairão — às vezes vocês sorriem e dão-se as mãos, ou às vezes vocês apenas ficam em silêncio, olhando um nos olhos do outro, sem fazer nada, só estando ali, presentes.

As presenças se encontram e se fundem, e algo acontece que só vocês sabem. Só vocês, com quem está acontecendo — ninguém mais vai saber, tal aprofundidade em que acontece.

Aproveite esse silêncio; sinta-o, prove-o e saboreie-o. Logo você vai ver que ele tem a sua própria comunicação; que ela é maior, mais elevada, mais secreta e mais profunda. E que a comunicação é sagrada; há uma pureza em torno dela.

Osho

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Hipnose: a pá que cava tesouros escondidos

A maioria das pessoas já ouviu falar de hipnose, mas poucas sabem realmente do que se trata. Você pode já ter assistido a um programa de televisão em que alguém era hipnotizado e comia uma cebola sentindo o sabor de uma maçã, ou alguma outra demonstração similar. Tais indivíduos podem até dominar determinadas técnicas, mas carecem de senso ético. A hipnose é um fenômeno que demonstra que nossas capacidades vão muito além do que estamos acostumados a experimentar no cotidiano; através dela podemos trazer à tona recursos internos que não acessamos normalmente. Utilizá-la em demonstrações fúteis, sensacionalistas, sem um fim relevante, é utilizá-la de forma leviana.

Para nós, psicólogos, o uso da hipnose é aprovado e regulamentado pela Resolução CFP Nº 013/00 de 20 de Dezembro de 2000, como um recurso terapêutico auxiliar. É importante para as pessoas que buscam ajuda profissional assegurar-se de que o escolhido é habilitado, informar-se e, se necessário, denunciar aos órgãos responsáveis. Mas o que é, afinal, a hipnose?

Podemos conceituá-la como um estado alternativo de consciência, atenção e percepção, “no qual as limitações que uma pessoa tem, no que diz respeito à sua estrutura comum de referências e crenças, ficam temporariamente alteradas, de modo que a pessoa se torna receptiva aos padrões, às associações e aos moldes de funcionamento que conduzem à solução de problemas”, de acordo com Milton Erickson, o criador da hipnose moderna. Hipnose moderna? E como é isso?

A forma mais conhecida de hipnose, inclusive devido aos programas de televisão anteriormente citados, é aquela a qual chamamos de clássica: o sujeito permanece numa posição passiva, na qual é submetido diretamente às sugestões do hipnotizador, que determina “como”, “quando” e “o quê” ele experimenta. O mesmo padrão de tratamento, com as mesmas sugestões é aplicado a todos os indivíduos com aquele diagnóstico de “depressão”, “fobia”, “tabagismo”, etc.

Milton Erickson (1901 – 1980) criou novas formas de utilizar a hipnose, proporcionando um transe natural no qual o foco de atenção é interior. A hipnoterapia ericksoniana é um procedimento individualizado, ou seja, feito sob medida para aquela pessoa, naquele momento. Não tratamos “a depressão” mas sim aquele indivíduo, que vivencia aquelas dificuldades, do seu jeito particular e vai participando ativamente do processo, que não é determinado pelo terapeuta, mas orientado no sentido de facilitar que o mesmo entre em contato com seus recursos inconscientes que podem levá-lo à solução de suas dificuldades.

O uso do termo “terapeuta” no lugar de “hipnotizador” atenta para o fato de que somos profissionais de saúde, portanto, nosso objetivo é sempre proporcionar bem-estar e melhorar a qualidade de vida das pessoas. A hipnose é ainda temida por muitos devido a idéias equivocadas tais como “a pessoa fica inconsciente e é controlada”; “a pessoa conta todos os seus segredos”; “a pessoa pode não voltar mais”. Na verdade, no estado de transe hipnótico não perdemos a consciência e não fazemos nada que não queiramos fazer; as sugestões podem ser aceitas ou não. E é impossível não voltar do transe; no máximo, podemos dormir e depois acordar normalmente. Além desses, há muitos outros mitos que podemos ir esclarecendo aos poucos.

Por ora, apresentamos a hipnose como um recurso facilitador, que acelera o processo terapêutico e pode trazer resultados fantásticos se bem utilizada. Amplas são as suas possibilidades de aplicação, abrangendo os mais diversos problemas de saúde e situações de vida, tais como estresse, transtornos alimentares, ansiedade, depressão, fobias, pânico, problemas de pele, disfunções sexuais, distúrbios do sono, dor, luto, baixa autoestima, timidez, entre tantos outros. O tesouro guardado todos nós temos. Mas para encontrá-lo é preciso pegar uma pá e cavar.

Camila Sousa de Almeida

Publicado no Portal Sergipe Saúde:

http://www.sergipesaude.com.br/artigo.php?op=36

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ericksonianamente Recomendado

Está no "ar" desde sexta-feira, 3 de julho, o blog ericksonianamente. Idealizado por uma grande contribuinte do Sanidade inSana, Camila ( a musa rsrsrs).

O blog se propõe a, nas palavras da mesma:

"divulgar e informar sobre a Psicoterapia Breve Estratégica desenvolvida por Milton Hyland Erickson. Trata-se de uma abordagem da Psicologia que aplica, em suas práticas, o pressuposto de que cada ser humano é único. Portanto, a terapia é feita sob medida para cada cliente, respeitando sua visão de mundo e utilizando os diversos recursos que carrega consigo. (...) Uma das ferramentas que nós, ericksonianos, temos à disposição para ajudar o cliente a trazer à tona recursos que ele já tem e que não estão sendo utilizados é a hipnose. Ela é um catalisador da terapia: facilita e acelera o processo; além de proporcionar um momento muito gostoso de contato consigo mesmo"

O Ericksonianamente pretende, ainda, promover uma desmistificação da hipnose, tão erroneamente estigmatizada devido, principalmente, a falta de informação sobre o método. Quem já conhece a psicoterapia ericksoniana sabe o bem que a mesma é capaz, quem ainda não conhece fica aqui a dica!

Visitem o blog e conheçam mais sobre o assunto:

http://ericksonianamente.blogspot.com/

Arthur Ramos - 106 anos de obras vivas

Arthur Ramos de Araújo Pereira, nascido na cidade de Pilar – Alagoas em sete de julho de 1903, foi um dos principais intelectuais de sua época. Teve grande destaque na construção do mito da democracia racial e foi também importante no processo de institucionalização das Ciências Sociais no Brasil.

Foi médico psiquiatra, psicólogo social, etnólogo, folclorista e antropólogo brasileiro e um dos principais intelectuais de sua época. Destacou-se como antropólogo e etnógrafo, tendo publicado entre outras obras: Os horizontes míticos do negro na Bahia, O negro brasileiro, Folclore negro no Brasil, Introdução à antropologia brasileira, A aculturação dos negros no Brasil e Estudos de Folclore. Seus livros são, ainda hoje, fontes de consultas indispensáveis a quem se dedica ao estudo da africanologia.

Fundou a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnografia, em 1941 e era Chefe do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO. Em 1926 defendeu a tese de doutorado denominada "Primitivo e Loucura", recebendo grandes elogios de Sigmund Freud, Paul Eugen Bleuler e Lucien Lévy-Bruhl. Dividida em cinco capítulos, a tese trata de assuntos como: esquizofrenia, paranóia, distúrbios psíquicos da linguagem do alienado e do primitivo, além de propor algumas considerações de natureza conclusiva. O tema era relevante na época e muito estudado pelos psiquiatras de Zurique. Durante seu trabalho como médico na Bahia realizou pesquisas que o levaram a redigir sua tese de livre-docência: a Sordície nos alienados. Ainda na Bahia, redigiu importantes obras para a Psicologia como Estudos de Psicanálise (1931), Freud, Adler e Jung (933) e Psiquiatria e Psicanálise(1933).

Mesmo sendo considerado um dos maiores cientistas da humanidade, deixando um legado de mais de seiscentas obras, nunca esqueceu sua terra. Percebe-se isso quando escreveu: "A minha recompensa maior será a de estar ouvindo aquelas vozes queridas que os ventos constantemente me trazem do Pilar distante para a música do meu coração”.

Faleceu em 31 de outubro de 1949 em Paris, ajudando a construir um Plano de Paz para o mundo, ao lado de Bertrand Russel, Jean Piaget, Maria Montessori e Julien Huxley.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Ramos

http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000400012&lng=pt&nrm=

http://www.arthurramos.com.br/noticias.php

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Curso de hipnose e psicoterapia Ericksoniana

*Correção : INICIO : 13 DE MAIO

Síntese Curricular dos Facilitadores

João Facchinetti
Médico (CREMAL 2019), Mestrado em Psicoterapia Ericksoniana - México, Psicoterapeuta Ericksoniano, Facilitador em vários Cursos de Formação em Hipnose e Psicoterapia Ericksoniana, Supervisor de Estágio Clínico em Psicoterapia Ericksoniana, Formação em Psicoterapia Breve, Presidente do Instituto Erickson/Maceió.

Fátima Calegari
Psicóloga (CRP 15-1425), Psicoterapeuta Ericksoniana, Formação em Gestalt-terapia, Formação em Psicoterapia Breve, Especialização em Desenvolvimento Humano, curso "Formação do Transe" - Stephen Guilligan Phd E.U.A., Supervisora de Estágio Clínico em Psicoterapia Ericksoniana, Facilitadora em vários Cursos de Formação em Hipnose e Psicoterapia Ericksoniana, Vice-Presidente do Instituto Erickson de Maceió.

Jornada Vivencial do Instituto Erickson



Desfrute...

Vamos trabalhar aspectos essenciais para o seu crescimento pessoal?

Presentei-se com esta oportunidade imperdível, participando conosco da

Jornada Vivencial do Instituto Erickson, onde serão realizadas vivências de grupo, Liang Gong e Meditação.

Data: 17 de maio

Horário: 8 às 12h

14 às 18h

Local: Escola Santa Rosa

Investimento: R$ 20,00 para o dia todo.

Informações: 3326-1421

VAGAS LIMITADAS!!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Nascimento tardio



Uma discussão sobre o caso da menina Isabella

ATENÇÃO DADA À CRIANÇA COMO SER ÍNTEGRO DOS PONTOS DE VISTA SOCIOLÓGICO E PSICOLÓGICO TEVE SEU INÍCIO NO SÉCULO 18, COM ROUSSEAU

RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA

Uma das reações ao assassinato de Isabella Nardoni -a precipitação da imprensa, de certos investigadores e até de membros do Judiciário em acusar o pai da menina- incita a refletir. Por que tanta pressa para encontrar um culpado, infringindo o elementar direito desse homem à presunção de inocência e eventualmente a um julgamento justo?
E isso apesar do precedente da Escola Base, no qual os adultos suspeitos de abuso sexual contra um menino se mostraram inocentes.
É natural que tragédias suscitem comoção pública: alguns leitores talvez se lembrem de incêndios como os do Andraus e do Joelma, e, mais recentemente, o tsunami, o furacão Katrina, o acidente da Gol também despertaram revolta e solidariedade.
Mas nem toda tragédia é um crime: casos como o de Isabella, como o de mães que tentam matar seus bebês indesejados, provocam uma repulsa mais profunda porque põem em jogo a crença na naturalidade dos sentimentos familiares.
Se hoje a violência contra crianças nos parece particularmente hedionda, convém lembrar que essa é uma atitude recente. Durante séculos, ela foi aceita como legítima, quer no interesse da própria criança (castigos físicos como parte da educação do caráter, por exemplo), quer no dos pais (abandono de filhos ilegítimos na "roda dos enjeitados") ou da sociedade (infanticídio eugênico em Esparta, assim como em certas tribos indígenas e africanas).

Direito de vida e morte

O princípio que justificava tais práticas era bem expresso na Lei das Doze Tábuas: "O pai tem direito de vida e morte sobre seus filhos, assim como de os vender" (tábua 5, 2).
A mesma regra vale em inúmeras sociedades antigas e mesmo atuais: como prova da sua fé, Jeová exige de Abraão que sacrifique Isaac; como não há alimento para todos os membros da família, João e Maria são enviados para morrer na floresta; Édipo é abandonado no monte Citerão devido à profecia segundo a qual mataria seu pai; repetindo o faraó, Herodes manda matar os meninos judeus para evitar que um deles se torne o salvador do povo; bebês do sexo feminino são assassinadas na China porque o único filho permitido pela lei deve ser menino -os exemplos encheriam toda esta página.
Foi com a idéia cristã de um Deus menino que começaram a surgir práticas mais respeitosas para com as crianças, como a educação dos abandonados nos mosteiros medievais. Mas a categoria psicológica e sociológica da infância é recente: data do século 18 (Rousseau).
A percepção de que os pequenos seres humanos têm características emocionais e intelectuais distintas daquelas dos adultos levou à criação da "nursery", com seus brinquedos e jogos, e de histórias próprias para eles: primeiro, as de Hans Christian Andersen, depois as de fada, até chegarmos aos desenhos animados; o primeiro longa-metragem do gênero, "Branca de Neve", retoma a história de uma garota cuja morte é desejada.

Crença na pureza

Essa evolução dos costumes produziu a crença na "inocência" e na "pureza" da criança, em particular no que se refere à sexualidade. As descobertas psicanalíticas mostram que as coisas são um pouco diferentes, mas é importante frisar que elas não invalidam a dimensão jurídica da proteção aos menores: o pequeno é mais fraco do que o grande, e, portanto, o crime contra ele é considerado mais grave que o praticado entre iguais. Já a lei romana prescrevia: "O tutor que agir com dolo será destituído com infâmia e pagará em dobro o prejuízo causado" (tábua 7, 11). O que é condenado aqui é o abuso de confiança, que, além de ser um delito, é também uma transgressão aos princípios da ética. Um marco histórico na percepção de que a criança é sujeito de direitos foi a Declaração dos Direitos adotada sobre ela pela ONU em 1959, base para o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente, que, apesar de algumas falhas, é uma boa lei. O fato de ela ter "pegado" mostra que a sociedade brasileira está disposta a cuidar melhor das novas gerações e a punir os que agirem de modo contrário -e isso é um avanço civilizatório.

Situações intoleráveis

Prova disso é que situações que há poucas décadas deixavam as pessoas indiferentes ou apenas suscitavam protestos da boca para fora, como a exploração do trabalho infantil, são hoje tidas por intoleráveis.
A esses dados de ordem sociológica e política o psicanalista pode acrescentar que o abuso sexual, a pedofilia, a brutalidade na punição, o infanticídio não nos chocam apenas porque ofendem o princípio da proteção ao mais fraco, mas também porque mobilizam ansiedades infantis à ameaça representada pelo adulto (bruxas, ogros).
Além disso, há a angústia diante da possibilidade de que venhamos a ter tais desejos e idéias -ou, pior, a praticar tais atos, que correspondem a fantasias inconscientes mais difundidas do que gostaríamos de acreditar.

Exorcismo

Demonizar o pai de Isabella pode ter a função de exorcizar algo que tememos, porque inconscientemente também desejamos -a possibilidade de prejudicar, pouco ou muito, os pequenos que dependem de nós. Já o sabia o profeta Jeremias: "Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos apodrecerão?" ("Jeremias", 31:29).


RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Escreve na seção "Autores", do Mais! .

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

-- SEGUNDA OPINIÃO -- “Espelho, espelho meu...” A cirurgia plástica e suas características psicológicas, filosóficas e sociais.

Angeliny Moura Arruda
Acadêmica de psicologia - 5º ano
UFAL


Diante do número crescente de cirurgias plásticas realizadas atualmente e a busca constante da “beleza fabricada” surge a necessidade da compreensão desse fenômeno que emerge em nossa cultura, juntamente com a análise de todos os seus aspectos psicológicos, sociais e suas raízes filosóficas.
Este artigo apresenta a questão da realização de cirurgias plásticas que podem nascer de uma real necessidade estética ou de simplesmente uma pura vaidade reforçada pela atual sociedade que cultua o corpo e a beleza, sendo esta uma condição imposta até mesmo para o sucesso na vida social e profissional.
Discutem-se aqui também os conceitos ligados a este tipo peculiar de cirurgia, tais como: imagem corporal e sua formação; auto-estima e seus aspectos, beleza e suas relatividades condicionadas pela época, cultura, raça e sociedade além de seus aspectos filosóficos e subjetivos; os transtornos que levam a procura da cirurgia e por fim a importância da psicologia e seu papel na abordagem do caso.


“O culto único do corpo,
Como hoje se apregoa, não satisfaz
porque é bruto, insensível,
não troca, não usufrui, não sente.
É incapaz de diferenciar
mentalmente as nuances da vida,
impotente diante da sensibilidade
e percepção espiritual
-bonecos, corpos esculturais, pedras híbridas de vida.
A conjunção corpo-espírito-emoção
é impossível sem passarmos pela ponte
da mente – a grande porta para o território das sensações.”
(Nuno Cobra, 2005)



Ao iniciar um tema como beleza, cirurgia plástica e seus aspectos psicológicos, sociais e filosóficos, o primeiro raio de pensamento que se passa a mente é a questão do conceito relativo de beleza e harmonia que está ligado à raça, a cultura, ao tempo e a época, pois cada uma destas possui seu próprio conceito de beleza. Não podendo ficar de fora também à questão da imagem corporal e suas várias implicações.
Desde a antiguidade surgem reflexões sobre a essência do belo, seja por meio de valores objetivos ou meramente subjetivos. Há uma linha que estuda racionalmente o belo e o sentimento que este desperta no ser humano, sendo este denominado estética. A palavra estética vem do grego aisthesis que significa sensação, sentimento e foi usada pela primeira vez pelo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762). Desde então, a estética passou a ser considerada uma disciplina filosófica. Este tema já foi também abordado por vários filósofos gregos, tais como Platão (427-347 a.C.) que usando Sócrates como personagem em o Banquete, discute o tema do amor como sendo este um vazio a ser preenchido misturado ao desejo de ter algo do qual sentimos falta e que, segundo ele, o amor dirige-se para o bem, cuja aparência externa é a beleza. Kant (1724-1804) também tratou de tocar no tema afirmando que o belo é reconhecido objetivamente como um valor absoluto, pois este está ligado ao sujeito, dando assim grande papel à subjetividade do ser frente ao belo. Aristóteles e Plotino seguiram a tendência de identificar o belo com o bom.
Ao falar de beleza pode-se citar também o nome de Nietzsche (1844-1900) que traçou uma distinção entre Apolíneo e o Dionisíaco que para os gregos eram respectivamente “deus brilhante da claridade que se revelava no sol” e o “deus da mania e da orgia”. O primeiro, Apolo, era considerado o pai do entusiasmo, da música, da poesia e da inspiração, já o segundo, Dionísio, simbolizava as forças obscuras do inconsciente, o deus da embriaguez, da orgia e das forças caóticas da vida. Nietzsche publicou em sua obra O Nascimento da Tragédia a dualidade dos dois princípios, realizando uma síntese dos mesmos. Os dois, para ele, formam uma unidade e não simplesmente duas forças opostas. Ele apresenta isso de uma forma metafórica onde a arte se torna o meio pelo qual o homem ultrapassa o cotidiano através da experiência apolínea do prazer. Resumidamente, Apolo e Dionísio são apresentados como saídas estéticas, pois através do dualismo entre estes, pode-se ultrapassar a realidade cotidiana.
A necessidade da estética foi sentida, então, desde o homem mais primitivo, pois este sempre esteve em busca da harmonia artística, do sentido estético como meio de satisfação íntima. A Grécia Antiga é uma prova disto, pois nos legou padrões estéticos que atravessaram séculos e que ainda influenciam até hoje. É interessante notar como o homem sempre esteve à procura da identidade com seus pares e grupo social, pois este nunca quis ser diferente e rejeitado pelo mesmo, fator este que influi no seu conceito de beleza fazendo com que ele procure sempre a consonância com os padrões daqueles de seu convívio. Em nossa sociedade hoje os padrões de beleza são estereotipados e associados a outros valores, tais como: sucesso financeiro e social, relacionamentos perfeitos e felicidade. A mídia e os meios de comunicação são grandes reforçadores dessa padronização, deixando aqueles que não se “encaixam” se sentindo rejeitados e deslocados.
O ser humano é um animal social por necessidade, condenado a viver em grupo e sensível a qualquer forma de rejeição social. Nos tempos mais primórdios ficar afastado do grupo significava perigo à sobrevivência. Uma deformidade afeta o comportamento do indivíduo e do grupo. É interessante ressaltar que é necessário se fazer uma análise do grupo e os padrões de beleza em voga. Pois, enquanto uma cicatriz, por exemplo, numa determinada cultura pode ser considerada feia e grosseira, em outras culturas, como na das tribos africanas, por exemplo, podem ser representadas como um sinal de status e orgulho.
Na antiguidade, em Esparta, os recém-nascidos que nasciam imperfeitos fisicamente eram atirados em um precipício. Na Idade Média, crianças portadoras de deformidades congênitas eram eliminadas por serem consideradas filhas do demônio.
Na cultura ocidental, há também certos modelos de beleza dos quais as pessoas procuram se enquadrar. Ser aceito pelo grupo e obter uma posição especial nele é um dos objetivos que a maioria das pessoas tenta alcançar.
Assim, o ser humano passa a se auto-avaliar e a emitir julgamentos sobre si mesmo, analisando-se e elaborando conceitos sobre o que pensa a respeito de si, os sentimentos que essas opiniões deflagram e seus reflexos nos relacionamentos afetivos, sociais e profissionais. Isso é a auto-estima e tudo o que ela exprime. Pode ser considerada como um termômetro social.

Psicólogos e psiquiatras constataram que pessoas com auto-imagem positiva podem ter mais facilidade para fazer boas escolhas. Além disso, se abatem menos com eventuais fracassos ou julgamentos alheios. Já as que nutrem baixa auto-estima são mais críticas e tendem a se desvalorizar, inseguras, hesitam em tomar decisões, temendo a opinião dos outros caso seus supostos pontos fracos sejam descobertos.
(Revista Viver, mente e cérebro – ano XIV, nº 164, p. 50)

A auto-estima e a imagem corporal estão completamente ligadas chegando a se fundir. A auto-estima, de uma maneira geral, significa a capacidade de alguém gostar ou não de si, já a imagem corporal corresponde às representações mentais do corpo acumuladas ao longo da vida, é um componente importante em todo o mecanismo de identidade pessoal, está sujeita as variações da auto-estima, a maneira como se percebe o próprio corpo. Para a construção dessa imagem são levadas em conta aspectos visuais, impressões táteis, experiências dolorosas e prazerosas permeadas por significados afetivos, culturais, relacionais e cognitivos presentes na história de vida da pessoa.
De uma maneira mais simples, a imagem que uma pessoa tem de si mesma é formada pela inter-relação entre a imagem idealizada da pessoa, as informações externas e a imagem objetiva (aquela que a pessoa vê). Um texto da psicóloga Ana Canosa exemplifica um pouco isso:

“Outro dia estava em uma loja quando entrou uma garota de uns 16 anos com sua mãe. A vendedora trouxe uma calça para a menina: “Acho que M ficará boa”. A mãe da adolescente quase teve um chilique: “Minha filha é P, nunca será M!” O que esta mãe anda fazendo é reforçar um modelo inflexível, o qual a garota tem de associar e “vestir” para o resto de sua vida. O pior é que ser ”P” pode ter outras conotações psíquicas que não somente ligadas ao corpo magro: ser pequena na vida, nem na média, nem acima dela. É ir se acostumando a contentar-se com o mínimo, sem aspirações! Mas eu seria injusta se delegasse a esta mãe todo o equívoco na forma como está influenciando na imagem que a filha terá de seu corpo, como se sentirá no mundo e se relacionará com as pessoas. Ela está como nós, aprisionada pela relação que a sociedade faz do gostar de si com os rígidos padrões estéticos. Isso reflete diretamente no exercício da sexualidade, que é modulado pela experimentação corporal e pelo sentimento de estima, a possibilidade de ser ou não admirada, amada, capaz de buscar satisfação com a integração de corpo e mente.”
(Texto publicado na revista Dr. Jornal em revista – Órgão oficial da Associação Paulista de medicina regional de Piracicaba – junho de 2002. Nº 43)

Existem casos distorcidos a respeito da própria imagem que podem ser classificados como uma síndrome denominada dismorfia ou transtorno dismórfico corporal (TDC), uma palavra de origem grega que significa feiúra. Os portadores desta psicopatologia apresentam um medo exagerado e sem causa concreta de ser considerado feio. Possuem um sentimento intenso e persistente de feiúra ou de defeito físico – ainda que ilusório. Os que apresentam esse quadro são os que mais vão à busca da cirurgia plástica, crendo que esta será a solução real para todos os seus problemas.

“O problema é que, quando esses pacientes conseguem resolver uma questão, certamente arrumam outra parte para corrigir e assim por diante.”
(Maria Cristina Sousa de Lúcia, ano 2006, p.55)

Afirma a psicanalista Maria Cristina Sousa de Lúcia, coordenadora da Divisão de Psicologia Hospitalar do HC (Hospital das Clínicas) da Universidade de São Paulo. A mesma relata o caso de um rapaz que há poucos anos deu entrada no HC com um histórico de dezenove cirurgias remodeladoras – no nariz, nas orelhas, no queixo e etc. - e que ainda se recupera de um enxerto ósseo a que se submetera para aumentar 10 cm na altura. Ele acreditava que se fosse mais alto, teria melhores chances na vida. Ele não sabia que com esse alongamento, agora, os seus pés ficariam desproporcionais para o corpo necessitando de uma prótese de aumento. Ele sofria de dismorfia corporal.

“... é imprescindível que o cirurgião saiba distinguir os motivos que levam um paciente a seu consultório. Não se pode correr o risco de interpretações errôneas. Muitas vezes o paciente transporta para uma parte do corpo – comumente a face – o cerne de seus problemas emocionais. A intervenção cirúrgica pode tirar deste tipo de paciente o suporte ou apoio físico para suas queixas e, como conseqüência, leva-o a eleger outra parte do corpo ou a um agravamento do seu quadro psíquico. É aí que o cirurgião, com experiência e formação adequadas, se necessário com a colaboração de psicólogo, psicanalista e/ou psiquiatra, deve construir um parâmetro entre o que o paciente refere o que ele vê e o que sua experiência lhe dita.” (Ivo Pitanguy)

Sousa de Lúcia afirma ainda, baseada na sua prática clínica e respaldada em suas pesquisas que a insatisfação com a aparência ocupa grande parte da vida psíquica e dos investimentos emocionais das pessoas, especialmente das mulheres, mais sensíveis às cobranças internas e externas de manter o corpo jovem e perfeito. Essas inquietações podem provocar frustrações ligadas à depressão e ansiedade. Prejuízo social e pessoal, como problemas no trabalho, na escola e nos relacionamentos.
“O Brasil é um dos países com maior índice de cirurgias plásticas por ano, sendo o Rio de Janeiro a capital destas realizações. Estes dados podem ser comprovados pela Associação Brasileira de Cirurgia Plástica, que por causa deste crescente interesse, já se tornou a segunda maior do mundo. Sendo uma referência a nível mundial, os profissionais da área devem se especializar constantemente e estar sempre atentos à todas as possibilidades que possam ocorrer.”
“Estatísticas comprovam que a grande maioria das cirurgias plásticas realizadas no Brasil é com finalidade estética. No ano de 2000 foram registradas 350 mil pessoas para realizar algum tipo de cirurgia plástica. Com a total população no Brasil, esta proporção é de 207 cirurgias para cada 100 mil habitantes. Esta proporção num país como os Estados Unidos, cai para 185 para cada 100 mil habitantes, sendo que o país norte-americano tem um quinto da população brasileira. Se antigamente as pessoas buscavam realizações estéticas através da plástica para casos extremos, como acidentes ou pequenos consertos que propusessem uma qualidade de vida melhor, hoje o objetivo é outro. Ficar mais jovem sempre é a lei, não importando se para isso você tenha que fazer uma cirurgia plástica.”
(http://www.medicina-estetica.org/cirurgia-plastica)

Há uma luta constante por parte dos cirurgiões plásticos no sentido de conferir à cirurgia plástica merecida dignidade tentando correlacionar os aspectos estéticos e reparadores dessa especialidade. A cirurgia estética objetiva melhorar a forma, enquanto que a reparadora recupera a função e restaura a forma. Há alguns tipos de cirurgias que são mais comumente procuradas, como as da face (lábios, nariz e orelhas); a da mama, pois esta tem sido a característica principal da feminilidade muito enaltecida nas artes plásticas e na literatura; as do abdome, principalmente no pós-parto, pois para a mulher o seu corpo é a sua maior expressão e ela apóia toda a sua sensualidade nas suas formas estéticas sendo que a maternidade pode vir a ser seu maior êxtase, mas também sua grande agonia; e finalmente as cirurgias para atenuar os sinais de envelhecimento.

“A pele é um dos principais componentes da personalidade” (Juvenal Esteves).

“A pele é todo um órgão sexual” (Sézary)

Isso sintetiza muito bem toda a angustia do psiquismo humano diante do envelhecer e a busca tão freqüente das pessoas que vão chegando à meia idade pela cirurgia plástica a fim de encontrar o equilíbrio diante da nova imagem marcada pelos anos e a disparidade entre a imagem ideal e a que é proposta pelo ambiente cultural e social.
A cirurgia plástica é o instrumento que pode, muitas vezes, ajudar o indivíduo a se harmonizar consigo, encontrando um maior equilíbrio com o seu meio externo. Seu sucesso é em grande parte embasado pela relação entre o paciente, seu cirurgião e o acompanhamento psicológico devido. É necessária ao cirurgião a consciência de que mais do que qualquer outro ramo de cirurgias, eles estão diante de pacientes possivelmente carregados com os mais variados distúrbios emocionais. Também, diferentemente de como muitos pensam, a cirurgia plástica não se limita à pura vaidade e a beleza. Ela tem a sua importância indispensável nos casos que necessitam de correções para deformidades congênitas, por exemplo, sendo nesses casos um resgate da auto-estima perdida ou nunca conquistada.
“O cirurgião plástico que lida com estas pessoas sabe que não se submetem à cirurgia por pura vaidade. A vaidade seria um desejo de exceder outras pessoas. No entanto, os pacientes, em sua grande maioria, desejam justamente o contrário. Querem passar despercebidos, livrando-se de características pouco atraentes.” (Aufricht, p.269)
É importante lembrar que alguns defeitos estéticos podem desencadear no individuo distúrbios psicológicos, sendo assim, a cirurgia plástica viria a ser o bálsamo para estes males. Bom entender também que pessoas que se submetem a uma cirurgia desse tipo estão se arriscando a uma mudança de identidade e conseqüentemente a uma reelaboração da imagem corporal. Mais uma vez entra em cena o papel do psicólogo e o seu apoio devido nessa reestruturação.

“É entre os pacientes do sexo masculino que procuram a cirurgia plástica que se encontra a maior incidência de pacientes esquizóides e esquizofrênicos, de acordo com
(Meyer 1964).”

Muitos destes tiveram dificuldades de relacionamento familiar ou desejam se desfazer de qualquer fator que os identifiquem o pai. Vários outros desajustes também, tais como: desajustes sexuais e imaturidade nos relacionamentos com o meio social e profissional, podem levar um paciente a exceder na expectativa da cirurgia, como sendo esta a resolução dos seus problemas e tendo que lidar depois com a frustração e o desapontamento quando isto não acontece.
Enfim, a busca da beleza e da harmonia estética que leva um indivíduo a buscá-las na cirurgia plástica perpassa um caminho longo e complexo ligado a fatores internos e externos desse ser. Pode ser um caminho positivo ou negativo, dependendo da maneira como for caminhado. Possui um caráter transcendente na tentativa de harmonizar entre corpo e mente e a finalidade de reestruturação com a própria imagem e o universo que lhe cerca.




Com este trabalho aqui desenvolvido nasce o desejo de expandir a consciência em relação à prática da cirurgia plástica tão efetuada e ao mesmo tempo com aspectos tão alienados para alguns.
Analisando todo o conteúdo apresentado, chegamos à conclusão de que a excessiva procura pela cirurgia plástica e pelo corpo perfeito que atinge fortemente a população é apenas um sintoma que, na maioria das vezes, aparece para revelar uma imposição da atual cultura: a beleza estereotipada como sendo associada à felicidade, ao sucesso e aos relacionamentos perfeitos, salvo as exceções, que já foram relatadas, como são os casos de busca da auto-imagem perdida, por apresentarem defeitos congênitos e cujos seus objetivos não são ultrapassar vaidosamente seus semelhantes, mas sim, se igualar, tornarem-se realmente “semelhantes”.
Será essa procura excessiva em busca da beleza, um indicativo ou uma conseqüência dos desgastes de valores e referências? Ou uma forma de ultrapassar ou amenizar a crise existencial a que estamos expostos? Mais ainda, um sinal de que os transtornos psicológicos ligados a isso estão se alastrando e sendo reforçados pela sociedade?
Cabe a nós tomar consciência dessa situação a que estamos expostos e fazermos nossa parte, no mínimo, tentando enfrentá-la e, se possível, transcendê-la através da nossa postura de aceitarmos a nossa real condição de humanos imperfeitos sem apresentarmos, por isso, sentimentos de culpa.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



FILHO, Júlio de Mello. Psicossomática hoje. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1992.

MEUNIER, M. Nova Mitologia Clássica, Ibrasa, 1976.

MORA, J. F. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

NIETZSCHE, F. O Nascimento da Tragédia, São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

FREUD, S. O mal-estar na cultura. Obras completas (1930)

JOCELYNE, Levy Rosemberg. Lindos de morrer – dismorfia corporal e outros transtornos obsessivos, um risco para ela e para ele. Célebres, 2004.

RIBEIRO, Nuno Cobra. A semente da vitória. 73º Ed. São Paulo: editora Senac, 2005. Revista Mente e cérebro. Ano XIV, nº163 – Setembro de 2006. Scientific American. Revista Filosofia, ciência e vida. Ano I, nº 03 Ed. Escala
Related Posts with Thumbnails