
No vazio: um grito!
Tudo agita
Tudo ensurdece
Tudo emudece
No vazio tudo esquenta
Tudo queima no vento frio
Tudo tem sabor amargo de rancor
No vazio tudo esfria
Tudo treme de calor
Emitido por um sol tomado por avaria
Tudo machuca de dor
Sentida com o desespero do pavor
No vazio a escuridão enfim se revela
Sorrisos fingidos sem cautela
Enchendo de lágrimas a fonte seca do amor
Mas nada agoniza mais o vaso de barro frio
que de forma cerca o vazio...
Nada trinca mais o cálice esguio
Que saber que a lágrima de sangue inebriado de vinho
Vem da certeza que a solidão que te confidencio
É a única entidade que preenche o vazio.
Thiago Moraes