sexta-feira, 14 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Carnaval de Alceu
Solidão
Alceu Valença
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Piaf - Um hino ao amor

Um filme pra ser visto!
muito intenso!
Nascida no bairro de Belleville, em Paris, Édith Giovanna Gassion (Marion Cotillard) demorou a conquistar prestígio como cantora em seu país. Após anos na estrada, acabou sendo descoberta por um caça-talentos que lhe apelidou de Piaf (passarinho, em francês) e lhe deu a oportunidade de cantar em alguns cabarés bem freqüentados. O nome Edith Piaf passou, então, a ser reconhecido por toda a Europa, região que vive um período de guerras e tristes canções.
3 indicações ao oscar : melhor atriz ( Marion Cotillard ); melhor figurino e melhor maquiagem.
| Estrelando: | Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins, Catherine Allégret, Marc Barbé, Caroline Sihol, Pauline Burlet. |
| Dirigido por: | Olivier Dahan |
| Produzido por: | Alain Goldman |
mais do que uma música, um lema :
Não, eu não me arrependo de nada
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram, nem o mal
Tudo me parece igual
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Eu estou farta do passado
Com minhas lembranças,
eu alimentei o fogo
Eu não preciso mais delas
Varri meus amores
Junto a seus aborrecimentos
Varri para sempre*
Eu volto ao zero
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram, nem o mal
Tudo me parece igual
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Minha vida
Minhas alegrias
Hoje
Começam com você
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Combinações perigosas
Álcool + energético + lança-perfume... misturas comuns durante o Carnaval que podem acabar com a sua festa
Gabriella Galvão
Energético + destilado
Para agüentar o pique, muita gente acaba misturando destilados com bebidas energéticas, combinação condenada pelos médicos. “Juntos, funcionam como estimulantes para o coração. Aumentam a pressão arterial e podem provocar arritmia”, diz o cardiologista Augusto Scalabrini, do Instituto do Coração (INCOR) de São Paulo. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o mix tem efeito duplo no organismo: ao mesmo tempo em que pode realmente inibir os efeitos do álcool e aumentar a sensação de euforia, diminui a percepção de embriaguez - o que faz a pessoa beber ainda mais. Além disso, ao mascarar os efeitos do álcool, a pessoa perde a noção do limite e pode superestimar sua capacidade motora, aumentando o risco de se envolver em acidentes.
Drogas
Arritmia e parada cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), desidratação, depressão... conseqüências que podem ocorrer com o uso de drogas como cocaína, extasy e lança-perfume. Conhecida como “a droga do Carnaval” até no dicionário Aurélio, o lança-perfume é proibido no Brasil desde 1961, quando foi considerado entorpecente. É nessa época de folia que o consumo aumenta, mesmo que, de acordo com a lei (nº 6.368/76), quem fornece, ainda que gratuitamente, pode pegar de 3 a 15 anos de reclusão e quem porta, de 6 meses a 2 anos.
Da família dos solventes – a mesma da cola de sapateiro e benzina – o lança-perfume é feito à base de cloreto de etila, uma substância com efeito sedativo que provoca a sensação de leveza, sonolência e bem-estar. Mas também pode fazer a pessoa perder os reflexos, sentir formigamento, euforia ou depressão. “Sem falar arritmia cardíaca e até parada cardíaca em quem tem predisposição, que muitos nem sabem que têm”, alerta o cardiologista Augusto Scalabrini, do Instituto do coração (Incor), em São Paulo. Droga semelhante ao lança só que de fabricação caseira, o "cheirinho da loló" também deve ser evitado. “Á base de clorofórmio, é depressor e hepatotóxico (ataca o fígado) e pode provocar arritmia cardíaca”, esclarece o cardiologista. O uso constante da droga pode causar lesões irreversíveis no cérebro e a aspiração repetida pode deixar a pessoa apática e com dificuldades de concentração, segundo dados do Projeto Álcool e Drogas sem Distorção, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
Fonte : http://claudia.abril.uol.com.br/materias/2708/
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
“AÇÕES POSITIVAS” E COTAS

Seguindo o exemplo dos EUA, está sendo implementada no Brasil uma política agressiva de “ações
positivas”, isto é, a implementação de medidas contra as desigualdades estruturais dos grupos mais vulneráveis à
discriminação. A decisão ocorreu após a Terceira Conferência Mundial Contra o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância Relacionada, realizada em Durban, África do Sul, em 2001.
Algumas das medidas adotadas foram as seguintes:
1. O Ministério da Justiça reservou 20% dos cargos executivos e de chefia a afro-descendentes;
2. Foram criadas bolsas pelo Ministério das Relações Exteriores especialmente para esta categoria étnica;
3. Estabeleceu-se uma cota de 20% para pessoas descendentes de africanos no serviço público;
e 5. Várias instituições de ensino superior estão reservando cotas para afro-descendentes e ameríndios em seus vestibulares.
Foi só recentemente que os vários documentos sobre direitos humanos, a nível nacional e internacional, estenderam o conceito de direito individual ao direito de grupos, o que cria uma série de problemas, especialmente no que se refere a quem tem direitos legítimos de representar a esses últimos. A minha opinião é
de que o sistema de cotas é claramente inconstitucional, pois a Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5º afirma que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, e no seu parágrafo XLII estabelece que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. E o que está ocorrendo, justamente, é um racismo às avessas, inclusive com a instituição (vergonhosa) do apartheid: há vestibular para brancos e vestibular para negros e índios separados, incomunicáveis.
Além disso, que nível de ancestralidade africana, européia ou ameríndia deve ser considerado como significante para o direito ao benefício? Como está amplamente demonstrado que a África foi o berço de toda a humanidade, é óbvio que todos os brasileiros têm potencialmente direito ao mesmo.
Uma política de combate generalizado à pobreza seria muito mais lógica, e como os afro-derivados e ameríndios estão desproporcionalmente representados nessas camadas menos favorecidas, eles automaticamente seriam mais beneficiados do que os euro-derivados, não havendo necessidade da instituição de nenhum esquema
discriminatório.
O direito à igualdade de oportunidades, assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos,
deve ser estritamente respeitado. A desigualdade biológica não tem nada a ver com o princípio ético de
que a posição de qualquer pessoa em uma determinada sociedade deva ser um reflexo acurado de sua capacidade individual.
Francisco Mauro Salzano
Trecho retirado de O CONCEITO DE RAÇA A PARTIR DA BIOLOGIA E DA SOCIOLOGIA
Francisco Mauro Salzano. Departamento de Genética, Instituto de Biociências,Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
De que raça você quer ser?

As diferentes formas de racismo têm em comum com a biologia o uso de um mesmo conceito - a raça.
Uma raça é um conjunto de indivíduos, dentro de uma espécie, que apresenta características genéticas similares e que pode ser diferenciada de outras raças pelo seu conjunto de genes. Uma boa comparação pode ser feita com raças de cães. "Salsichinhas" pertencem a uma raça claramente diversa daquela dos pastores alemães. Neste, e em muitos outros casos envolvendo plantas e animais, o conceito de raça é útil para classificar indivíduos. É útil, pois as diferenças entre os muitos membros da mesma raça canina são mínimas, se comparada com as diferenças entre as raças. Simplificando, um salsichinha se parece muito com outro salsichinha e nunca será confundido com um pastor alemão e vice-versa.
Aplicar este conceito aos seres humanos não é tão simples como pode parecer à primeira vista. Alguns casos parecem óbvios. O jogador Tinga, do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, poderia ser classificado como negro e Taffarel, ex-goleiro gaúcho da selação brasileira, como branco, mas quando vamos estudar um número maior de pessoas descobrimos que o tamanho das diferenças genéticas no grupo que se considerava branco é quase cinco vezes maior do que as diferenças entre brancos e negros. O mesmo ocorre com o tamanho das diferenças dentro do grupo de negros. É similar à tentativa de alguém em separar zebras em duas raças, uma composta pelas que têm mais listas pretas do que brancas e outra com aquelas que tem mais listas brancas do que pretas. A variação dos animais é de tal modo sutil que a classificação seria, para fins práticos, inútil.
Além disso, como os critérios são pré-estabelecidos, qualquer característica pode ser utilizada para classificar os grupos humanos, como, por exemplo, dividir a população em uma raça de pessoas bonitas e outra de feias, entre as que se parecem conosco e as que são diferentes de nós... O desconhecimento destes fatos levou o frei franciscano David Raimundo dos Santos, respeitado defensor dos direitos da comunidade negra, a afirmar: - Essa definição [de quem é negro] ainda não está pronta, vamos construir isso aos poucos no Brasil.
A formação do Brasil
A formação da população brasileira não foi meramente uma mistura de três ingredientes em um caldeirão, os estoques genéticos de europeus, africanos e ameríndios. Ocorreu, também, um processo de marcantes trocas socioculturais. Este sincretismo cultural tem levado, por exemplo, a que indivíduos, ou mesmo comunidades inteiras, que tenham uma identidade cultural sem diferenças daquela de qualquer brasileiro (falam português, vivem e vestem-se como qualquer cidadão na mesma situação econômica) sejam identificados por si mesmos e/ou por terceiros, como indígenas, de acordo com sua aparência física.
Em algumas sociedades, as pessoas são classificadas, tanto por si quanto pelos outros, pelas características fenotípicas (termo que os geneticistas usam para identificar algo, na aparência dos indivíduos, passível de ser medido) que apresentam, tais como cor da pele, textura dos cabelos, aspecto do nariz e lábios. Em outras situações, como no EUA, a existência de um ancestral africano, por exemplo, mesmo que longínquo, já seria o suficiente para que o indivíduo fosse identificado como negro. Por isso, no Brasil, é possível a um indivíduo negro ter um filho branco (dependendo de seus genes e dos de seu cônjuge), mas, nos Estados Unidos, não.
Além disso, algumas outras sociedades caracterizam-se pela tendência às classificações dicotômicas, escolhendo entre "isto" ou "aquilo". O México com seus mestizos e índios, o Peru e a Bolívia (choles e índios) e a Guatemala (ladinos e índios), seriam exemplos de países latino-americanos onde a maioria da população seria identificada somente com duas categorias, neste caso, índios e não-índios.
No Brasil, por outro lado, parece haver uma total ausência de regra de descendência, ao mesmo tempo em que a cor da pele se tornou um grande referencial. O termo "grupos de cor" é freqüentemente utilizado para classificar as populações brasileiras. A autodefinição dentro de quatro grupos de cor (branco, preto, pardo e amarelo) é, inclusive, o critério utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1980 para os censos no Brasil.
A ambigüidade de critérios também é uma regra bem brasileira. O exemplo mais contundente são os resultados, apresentados pelo IBGE, em uma de suas Pesquisas Nacionais por Amostragem a Domicílio (PNAD - 1986) onde mais de 190 diferentes designações surgiram em uma questão aberta na qual as pessoas podiam se autodefinir na "Designação de Cor". Isto não é tudo: há, ainda, marcantes diferenças entre como alguém é classificado por outro e por si mesmo: o IBGE pôde também verificar, em uma de suas abordagens, que 18% das pessoas identificadas como negras pelo examinador classificavam-se como brancas.
Podemos imaginar algumas situações. Uma pessoa de cor de pele mulata, que por sua situação social, não desejar o status de negro ou afrodescendente, terá esta opção - continuar branca - ou, obrigatoriamente, terá de ser classificada? Imagine a situação de dois irmãos gêmeos. Um deles obteve sucesso social e não deseja ser negro, pois não obterá nenhum benefício desta classificação. Seu co-gêmeo, para poder entrar com mais facilidade em uma universidade ou emprego público, opta por ser identificado como negro. O fato de um deles ser considerado negro, não obriga que o outro o seja, independentemente de sua vontade? Biologicamente, a cor da pele é uma característica de marcada herança multifatorial, significando que fatores genéticos e ambientais atuam em patamares de igualdade. De qualquer maneira, e por qualquer que seja o critério, o Brasil tem se caracterizado por um "continuum de cor" nas classificações de suas populações, que costumam ir do negro ou preto ao branco, passando pelo mulato, mulato escuro, mulato médio, mulato claro, pardo, mestiço, sarará, moreno, acrescido, ainda, das clássicas denominações que reportam a presença indígena tais com caboclo, mameluco, cafuzo, entre outras.
Sexo
Se formos considerar ainda outros tipos de marcadores genéticos, aqueles somente transmitidos pela mãe ou pelo pai, podemos obter algumas informações que sugerem um "sincretismo genômico". Devido às particularidades brasileiras, foi possível determinar que cerca de 10% dos negros de Porto Alegre apresentavam seus genes mitocondriais (transmitidos apenas por mulheres) de origem indígena. Grosseiramente, significa que um em cada dez negros estudados apresentava uma ancestral materna ¾ mãe, avó materna, a mãe dela, etc. ¾ que fora uma índia. Já entre os índios Guaranis, 11% e 3% dos homens tinham cromossomos Y (herdados apenas por linhagens paternas) de europeus e africanos, respectivamente. Eles tinham um pai, avô paterno, o pai deste ou outro ancestral nesta linha que fora um branco ou um negro. Em um processo colonizatório típico, o esperado seriam genes paternos dos colonizadores e genes maternos dos colonizados. Mas no Brasil, não tivemos necessariamente isso.
Enfim, os níveis de miscigenação do povo brasileiro foram e continuam sendo elevados, extrapolando qualquer valor determinado a partir de critérios morfológicos visíveis, como a cor da pele. Além disso, compartilhar características, não significa compartilhar a mesma herança, quer cultural, quer genética. Todos sabem, ou deveriam saber, que há africanos que não são negros como, por exemplo, os árabes no norte da África. Houve negros que não vieram como escravos para o Brasil e, sim, como trabalhadores assalariados e há, ainda, grupos humanos de pele escura que não são negros, como os indianos.
Há uma arbitrariedade inerente às tentativas de categorizar, de maneira absoluta, pessoas e populações humanas; ainda mais, tratando-se de brasileiros. As várias formas de ações afirmativas podem se basear em critérios biológicos, como o sexo, ou sociais, como a renda, mas, nestes casos, é possível classificar os indivíduos, para fins de benefícios ou incentivos, com bastante eficiência. Já a utilização do critério de raças para diminuir injustiças históricas acabará por aumentá-las, devido à imprecisão deste conceito, quando aplicado a um conjunto genômico tão miscigenado, como o de nossa população.
de Maria Cátira Bortolini e Renato Zamora Flores
Salzano, FM e Bortolini, MC (2002). The Evolution and Genetics of Latin American Populations. New York, Cambridge University Press.
Maria C. Bortolini e Renato Z. Flores trabalham no Departamento de Genética da UFRGS.
Publicado originalmente em Zero Hora, Caderno de Cultura, 08/03/2002, págs 2-3.